Bolsas estudantis terão reajuste de até 75% a partir de março

Publicado por Teia Digital
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Pesquisadores não recebiam aumento desde 2013 e tiveram o benefício suspenso por bloqueio de recursos do MEC no governo de Jair Bolsonaro.

O presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), anunciou reajustes das bolsas estudantis pagas a pesquisadores da graduação, pós-graduação, de iniciação científica e na Bolsa Permanência.

A partir de março, os mestrandos vão receber R$ 2.100, ante R$ 1.500 recebidos mensalmente desde 2013, ano em que as bolsas tiveram seu último reajuste.

No doutorado, o valor passará de R$ 2.200 para R$ 3.100. Para os pós-doutorandos, o acréscimo será de 25% e a bolsa sairá de R$ 4.100 para R$ 5.200.

A Bolsa Permanência, destinada a estudantes quilombolas, indígenas, integrantes do Prouni e alunos em situação de vulnerabilidade socioeconômica matriculados em instituições federais de ensino superior, vão aumentar entre 55% a 75%. O auxílio financeiro hoje varia entre R$ 400 e R$ 900.

Alunos do ensino médio em iniciação científica receberão R$ 300 por mês, em vez de R$ 100, e as bolsas destinadas à formação de professores da educação básica terão reajuste de até 75%. Hoje, os beneficiários recebem entre R$ 400 e R$ 1.500.

Retrocesso

Com falhas na voz, Lula adiantou que não discursaria, mas aproveitou o momento para evidenciar os retrocessos deixados pelo governo anterior. “Faz sete anos que não aumenta a merenda escolar, 10 anos sem reajuste de bolsa para os estudantes e pesquisadores brasileiros. [Encontramos] Um País que foi semidestruído na área da cultura, que foi demidestruído na área da educação, e na área do emprego.”

O presidente defendeu ainda a importância da educação para a criação de melhores carreiras profissionais, já que o trabalho oferecido por plataformas digitais da chamada gig economy (trabalhadores temporários e independentes) não é trabalho. O cidadão, na visão do chefe do Executivo, precisa de seguridade social e condições dignas.

Desenvolvimento nacional

O anúncio foi realizado em uma cerimônia no Palácio do Planalto nesta quinta-feira (16) e contou com a presença de autoridades e estudantes. Vinícius Santos Soares, doutorando da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e presidente da Associação Nacional de Pós-graduandos, comentou que o reajuste foi uma das políticas mais acertadas da nova gestão, pois incentivar a pesquisa é promover o desenvolvimento nacional.

“É a primeira vez na história que o presidente da República vai anunciar o reajuste das bolsas e [esta] ser agenda prioritária de governo em menos de 100 dias [de mandato]“, comemorou Soares.

Prioridades

O doutorando da UFRJ exaltou ainda a resiliência dos pesquisadores e bolsistas brasileiros, comparando-os aos sertanejos, descritos pelo escritor Euclides da Cunha como fortes. “Apesar de todas as condições adversas, do negacionismo, da perseguição política e ideológica, do desmonte do Parque Nacional de Ciência e Tecnologia e desmonte das universidades, nós produzimos ciência da mais alta qualidade”, lembrou Vinícius Soares, que ressaltou a presença da cientista Jaqueline Goes de Jesus, responsável pelo mapeamento do genoma do coronavírus 48 horas depois de a doença ser constatada no País.

De fato, os bolsistas precisaram enfrentar diversas adversidades, especialmente nos últimos quatro anos. Além da bolsa-auxílio estar defasada há 10 anos por conta da falta de reajustes, os pagamentos chegaram a ser suspensos durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), que bloqueou sistematicamente os recursos do Ministério da Educação (MEC), especialmente em 2022.

Fonte: Jornal GGN