MGI autorizou 25.767 provimentos em 104 órgãos entre 2023 e 2026; planejamento de pessoal, negociação e reorganização de carreiras integram a agenda de gestão
Fonte: MGI
epois de um período de sete anos marcado pela redução de 71 mil servidores federais, sem considerar a área de educação, o governo federal voltou a registrar crescimento líquido de pessoal e ampliou as autorizações para recompor as equipes da administração pública. Entre 2023 e 2026, o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) autorizou 25.767 provimentos, distribuídos por 104 órgãos e 145 cargos. A medida representa uma mudança na trajetória de redução da força de trabalho e busca fortalecer a capacidade do Estado de executar políticas públicas, prestar serviços à população e responder às necessidades do país.
A retomada vai além da abertura de concursos públicos. Desde 2023, o MGI passou a articular a recomposição dos quadros com uma política de gestão de pessoas que envolve diagnóstico das necessidades dos órgãos, planejamento de contratações, modernização das carreiras, valorização profissional e diálogo com as entidades representativas dos servidores.
A relação entre as condições das equipes e a eficiência da administração foi apresentada pela ministra Esther Dweck, no discurso de posse, em 2023, quando o MGI foi criado. “Este ministério nasce como a missão de ampliar a eficiência na gestão do Governo Federal. Para atingirmos esse objetivo, o primeiro passo é interromper o processo de desmonte do estado brasileiro que ocorreu ao longo desses últimos anos”, destacou. “Dentro desse contexto, a pauta dos servidores é a mais urgente e que se coloca demandando um debate com diferentes carreiras de serviço público sobre remuneração e reestruturação de carreiras”, acrescentou a ministra.
O discurso também indicou algumas das ações que já seriam promovidas pelo MGI logo no seu primeiro ano: “será retomada a realização de concursos e vamos restaurar uma mesa permanente de negociação com servidores para debatermos esses pontos juntos”, elencou Dweck. A ministra enfatizou, ainda, que o ministério teria como marcas a participação e o diálogo.
Os primeiros resultados já aparecem no saldo de pessoal: entre 2023 e agosto de 2026, o número de ingressos superou o de saídas em 4 mil pessoas. Assim, o total de ingressos foi suficiente para superar desligamentos como aposentadorias, exonerações e outras vacâncias, produzindo crescimento líquido das equipes.
Embora represente uma mudança de trajetória, o crescimento registrado desde 2023 ainda não recupera as perdas acumuladas no período anterior. Considerando os dois períodos, a administração pública federal ainda mantém um saldo negativo de aproximadamente 67 mil servidores. A comparação mostra por que a reposição precisa ser planejada ao longo do tempo, considerando tanto as necessidades já existentes quanto as novas saídas.
| Período | Saldo líquido de pessoal (diferença entre ingressos e saídas) |
| 2016 a 2022 | −71 mil servidores |
| 2023 a agosto de 2026 | +4 mil servidores |
Fonte: SGP/MGI
As autorizações de provimento são outra medida desse esforço. Elas permitem preencher cargos com pessoas aprovadas em concurso, mas não equivalem ao número de servidores que já tomaram posse ou entraram em exercício. Nomeação, posse e início do trabalho são etapas posteriores, acompanhadas pelos órgãos responsáveis.
Provimentos autorizados
As 25.767 autorizações registradas no Painel de Provimento de Pessoal se distribuíram pelos quatro anos. Em 2025, foram 13.299, equivalentes a 51,6% do total do período.
| Ano | Provimentos autorizados |
| 2023 | 2.746 |
| 2024 | 3.569 |
| 2025 | 13.299 |
| 2026 | 6.153 |
| Total | 25.767 |
Fonte: Painel de provimentos
A distribuição alcança órgãos que executam políticas de renda, fiscalização, saúde, meio ambiente, infraestrutura e pesquisa. Trabalho e Desenvolvimento Social reúne 5.210 provimentos autorizados em instituições como Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Ministério do Trabalho e Emprego, Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).
Outros 2.811 provimentos estão relacionados à Justiça e à Segurança Pública; 1.700, ao Meio Ambiente; e 1.561, à Saúde. São autorizações para equipes cujas atribuições incluem analisar benefícios, fiscalizar atividades, executar políticas territoriais e apoiar ações de vigilância e atenção à saúde. A recomposição alcança também áreas de gestão que sustentam o funcionamento dos órgãos, como orçamento, administração e gestão de pessoas.
Parte da recomposição foi realizada por meio do Concurso Público Nacional Unificado (CPNU). Suas duas edições respondem por 12.862 provimentos autorizados, ou 49,9% do total de provimentos autorizados entre 2023 e 2025.
Planejar as equipes antes de abrir concursos
Definir quantas pessoas são necessárias e quais atividades irão desempenhar antecede a seleção. Para apoiar esse planejamento, o Dimensionamento da Força de Trabalho (DFT) analisa as entregas das equipes, as características dos profissionais e o contexto de trabalho. O modelo referencial, desenvolvido em parceria com a Universidade de Brasília (UnB), fornece subsídios para identificar necessidades de pessoal e planejar a composição e a distribuição das equipes.
Identificadas essas necessidades, o passo seguinte é definir o perfil dos profissionais que os órgãos precisam selecionar. Para apoiar essa etapa, o MGI e a Escola Nacional de Administração Pública (Enap) publicaram, em 2023, o Guia Referencial para Concursos Públicos. O documento conecta o planejamento dos concursos às atribuições das instituições e às competências necessárias para executar políticas públicas.
Essa preparação também deve se refletir nas provas. O Guia recomenda que as avaliações considerem conhecimentos e habilidades relacionados ao trabalho que será realizado, como resolução de problemas com base em dados, comunicação, trabalho em equipe e compromisso com o interesse público. A definição do que avaliar parte, portanto, das atividades que os futuros servidores deverão desempenhar.
As solicitações dos órgãos também passam por análise orçamentária e legal. O MGI consolida demandas para subsidiar a elaboração do orçamento e, após sua aprovação, analisa os pedidos considerando a disponibilidade de recursos e as prioridades governamentais. A reposição, portanto, depende de diagnóstico, previsão orçamentária e definição dos perfis profissionais.
Criado em 2023, o CPNU passou a integrar esse processo ao reunir oportunidades de diferentes órgãos em uma seleção compartilhada. A aplicação de provas em 228 cidades, nas duas edições, ampliou o alcance territorial do recrutamento. O modelo de seleção será aprofundado em outra reportagem da série.
Negociação e carreiras integram a mesma agenda
A reposição de pessoal foi acompanhada pela retomada da Mesa Nacional de Negociação Permanente, em fevereiro de 2023. O espaço reúne governo e entidades representativas dos servidores para tratar de demandas gerais, enquanto mesas específicas negociam questões de cada carreira ou grupo de cargos.
Entre os resultados estão o reajuste geral de 9% em 2023 e as negociações posteriores de remuneração e benefícios. A reorganização incluiu também mudanças em planos de cargos e carreiras e a criação de novas carreiras transversais, cujos profissionais podem atuar em diferentes órgãos federais.
Em 2025, foram criadas as carreiras de Desenvolvimento Socioeconômico e de Desenvolvimento das Políticas de Justiça e Defesa. Em 2026, foi instituída a carreira de Analista Técnico do Poder Executivo Federal, composta pelo cargo de Analista Técnico Executivo.
A agenda abrange ainda formação e desenvolvimento de lideranças, saúde e segurança do trabalho e prevenção ao assédio e à discriminação. Esses temas serão detalhados nos próximos dias da série, que apresentará as mudanças e seus efeitos para os servidores.
Marcos da reorganização do serviço público
| Quando | Marco |
| 2016 a 2022 | Redução das equipes. O saldo entre ingressos e saídas foi negativo em 71 mil servidores, sem considerar a área de educação. |
| Janeiro de 2023 | Criação do MGI. O ministério passa a reunir atribuições de gestão de pessoas, organização da administração federal e modernização dos serviços públicos. |
| Fevereiro de 2023 | Retomada da negociação com os servidores. Reabertura da Mesa Nacional de Negociação Permanente, em 7 de fevereiro, seguida da instalação de mesas específicas para tratar das demandas das carreiras. |
| Março de 2023 | Diversidade nas posições de liderança. O Decreto nº 11.443 estabelece percentual mínimo de ocupação de cargos em comissão e funções de confiança por pessoas negras na administração pública federal. |
| Maio de 2023 | Reajuste geral da remuneração. Entra em vigor o reajuste para os servidores civis do Executivo federal. O auxílio-alimentação também é atualizado naquele ano, passando de R$ 458 para R$ 658. |
| Julho de 2023 | Estruturas específicas para gestão de pessoas e relações de trabalho. A reorganização do MGI estabelece a Secretaria de Gestão de Pessoas (SGP) e a Secretaria de Relações de Trabalho (SRT). |
| Julho de 2023 | Qualificação para planejar as equipes. MGI e Enap estabelecem regras de formação e certificação de servidores para atuar com o Dimensionamento da Força de Trabalho (DFT), instrumento que subsidia decisões sobre necessidades de pessoal e distribuição das equipes. |
| Julho de 2023 | Gestão do trabalho por entregas. Nova regulamentação do Programa de Gestão e Desempenho (PGD) vincula o trabalho dos participantes às entregas das unidades e aos objetivos dos órgãos. |
| Agosto de 2023 | Referência para novos concursos. Lançamento do Guia Referencial para Concursos Públicos, pelo MGI e pela Enap, com recomendações sobre planejamento da seleção, competências profissionais, realidade brasileira, diversidade e compromisso com o serviço público. |
| Agosto de 2023 | Formação de lideranças negras. Abertura da edição extraordinária do LideraGOV destinada a pessoas servidoras negras. A formação ocorre em 2024. |
| Setembro de 2023 | Instituição do CPNU. Criação do modelo que reúne oportunidades de diferentes órgãos em uma seleção nacional, com cargos organizados por blocos temáticos. |
| Novembro de 2023 | Transformação de cargos vagos. A Lei nº 14.724 estabelece medidas para reorganizar cargos efetivos vagos do Executivo federal, adequando sua composição às necessidades da administração. |
| Maio de 2024 | Atualização dos benefícios. O auxílio-alimentação passa para R$ 1 mil. Também são reajustados a assistência pré-escolar e os valores da assistência à saúde suplementar. |
| Maio de 2024 | Novas estruturas de carreira. A Lei nº 14.875 cria a carreira de Tecnologia da Informação, reorganiza as carreiras da Funai e estabelece outras mudanças em cargos e remunerações federais. |
| Junho de 2024 | Sistema para acompanhar entregas. Disponibilização do PGD Petrvs aos órgãos participantes do programa, como ferramenta para registrar e acompanhar planos de trabalho e resultados. |
| Julho a setembro de 2024 | Prevenção ao assédio e à discriminação. Instituição do Programa Federal e, posteriormente, do Plano Federal de Prevenção e Enfrentamento do Assédio e da Discriminação, com diretrizes para prevenção, acolhimento e tratamento das situações de violência no trabalho. |
| Agosto de 2024 | Primeira edição do CPNU. Aplicação de provas em 228 municípios, com 6.640 vagas ofertadas nos editais de 21 órgãos. |
| Setembro de 2024 | Formação permanente de lideranças. O LideraGOV deixa a condição de programa-piloto e passa a ter caráter permanente, com regras de funcionamento e ações afirmativas na seleção dos participantes. |
| Novembro de 2024 a janeiro de 2025 | Escuta dos servidores. A primeira Pesquisa Vozes do Serviço Público reúne cerca de 55 mil respostas sobre ambiente de trabalho, liderança e gestão de pessoas, fornecendo dados para o planejamento das políticas. |
| Fevereiro de 2025 | Novas regras para o estágio probatório. O Decreto nº 12.374 padroniza critérios de avaliação e estabelece formação inicial obrigatória. A implementação inclui o Programa de Desenvolvimento Inicial (PDI), oferecido pela Enap, e o sistema AvaliaGOV EP. |
| 2025 | Ingresso de aprovados no primeiro CPNU. Novos servidores começam a integrar equipes federais, em um processo que prossegue em 2026 e inclui formação inicial nas carreiras que preveem essa etapa. |
| Junho de 2025 | Criação de carreiras para políticas estratégicas. A Lei nº 15.141 institui as carreiras de Desenvolvimento Socioeconômico e de Desenvolvimento das Políticas de Justiça e Defesa, com 1.500 cargos, além de reestruturar cargos, planos e carreiras e alterar remunerações. |
| Junho de 2025 | Ampliação das ações afirmativas no ingresso. A nova Lei de Cotas, nº 15.142, amplia a reserva de vagas em concursos e seleções temporárias federais e inclui expressamente pessoas indígenas e quilombolas, além de pessoas pretas e pardas. |
| 2025 | Segunda edição do CPNU. A seleção reúne 3.652 vagas em 32 órgãos, mantém provas em 228 municípios e incorpora novas medidas de inclusão, como a convocação adicional de mulheres para a etapa discursiva, respeitados a nota mínima e a ordem de classificação. |
| 2025 e 2026 | Execução dos acordos de valorização. Implementação das parcelas de reajuste da remuneração negociadas com as categorias e novas atualizações dos benefícios. O auxílio-alimentação chega a R$ 1.192 em 2026. |
| Dezembro de 2025 | Proteção em situações de violência doméstica. Portaria conjunta do MGI e do Ministério das Mulheres estabelece procedimentos de movimentação de servidoras e empregadas públicas, com atendimento prioritário e sigilo das informações. |
| Março de 2026 | Gestão das carreiras transversais. Criação da Diretoria de Carreiras Transversais (DICAT), na Secretaria-Executiva do MGI, com atribuições de desenvolvimento profissional, alocação, movimentação e acompanhamento das carreiras supervisionadas pelo ministério. |
| Março de 2026 | Reorganização dos cargos técnico-administrativos. A Lei nº 15.367 cria a carreira de Analista Técnico do Poder Executivo Federal, composta pelo cargo de Analista Técnico Executivo (ATE), reunindo profissionais antes distribuídos por diferentes planos e denominações. |
| Abril de 2026 | Rede de Acolhimento do MGI. Instituição da rede setorial para orientar e acolher pessoas em situações de conflito, sofrimento, assédio ou discriminação no ambiente de trabalho. |
| Abril de 2026 | Proposta de regulamentação da negociação coletiva. Encaminhamento ao Congresso Nacional do Projeto de Lei nº 1.893/2026, sobre negociação das relações de trabalho e representação sindical no setor público. Trata-se da apresentação da proposta, sem pressupor sua aprovação. |
| Abril de 2026 | Prevenção de acidentes e adoecimento. Instituição da Comissão Interna de Saúde e Segurança do Trabalho do Servidor Público (CISSP), com participação de representantes da administração e dos servidores nos órgãos e entidades do Sipec. |
| Junho de 2026 | Diversidade também nos estágios. Inclusão de reserva de vagas para estudantes indígenas e quilombolas nos processos seletivos de estágio da administração pública federal direta, autárquica e fundacional. ( |
| Julho de 2026 | Primeiros ingressos nas novas carreiras. Início das nomeações para os cargos de Analista Técnico de Desenvolvimento Socioeconômico e Analista Técnico de Justiça e Defesa, selecionados pelo CPNU 2. |
| Julho a agosto de 2026 | Profissionalização dos ingressantes. Instituição do PROFCAR, em julho, e início da primeira turma, em agosto. Executado pela Enap, o programa oferece pós-graduação presencial de, no mínimo, 360 horas para os novos ATDS e ATJD e integra os requisitos do estágio probatório. |
| Agosto de 2026 | Regras de mobilidade dos ATEs. Regulamentação da definição das unidades de exercício e da movimentação dos profissionais, incluindo permuta entre servidores, mediante concordância dos órgãos envolvidos. |
| 2026 | Coordenação das ações de saúde e segurança. Retomada das atividades do Comitê de Atenção à Saúde e à Segurança do Trabalho (CASST), espaço de articulação das políticas voltadas às condições de trabalho dos servidores. |
| 2026 | Continuidade da formação de lideranças. Início da sexta edição do LideraGOV, dando sequência à formação de servidores para funções de liderança na administração federal. |
| Disponível em 2026 | Apoio à aplicação das cotas. O Simulador de Reserva de Vagas calcula a distribuição das vagas reservadas a pessoas com deficiência, negras, indígenas e quilombolas, apoiando candidatos, órgãos e organizadores das seleções. |
Preparar o serviço público para os próximos anos
A recomposição recupera parte da capacidade de trabalho reduzida nos anos anteriores. Seu alcance depende de como os novos profissionais são selecionados, distribuídos e preparados para as atividades. O planejamento de pessoal conecta essas decisões às necessidades dos órgãos e aos serviços prestados à população.
O DFT e o Guia Referencial dão continuidade a esse planejamento, enquanto a negociação e a reorganização das carreiras tratam das condições de desenvolvimento profissional. São instrumentos para preservar conhecimentos, incorporar novas competências e preparar as equipes para as demandas da sociedade.