Estudo aponta riscos do ajuste fiscal proposto por Flávio Bolsonaro para o crescimento econômico, a renda dos trabalhadores e a arrecadação pública.
Uma proposta de ajuste fiscal de aproximadamente R$ 200 bilhões, apresentada pela campanha de Flávio Bolsonaro (PL), pode provocar impactos significativos sobre a economia brasileira, com consequências para o emprego, a renda dos trabalhadores e as contas públicas. A avaliação é do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), em estudo divulgado em outubro de 2026.
Segundo informações publicadas pela imprensa sobre o levantamento, o chamado “tesouraço” pode resultar na eliminação de cerca de 2,2 milhões de postos de trabalho, além de reduzir o Produto Interno Bruto (PIB) de 2027 em 1,55%. A estimativa também aponta uma possível queda de R$ 68,7 bilhões na massa salarial e de R$ 46,8 bilhões na arrecadação de impostos.
Para avaliar os possíveis efeitos da proposta, o DIEESE considerou um cenário de contenção das despesas públicas, corrigidas apenas pela inflação. Como a composição detalhada dos cortes não foi apresentada, o estudo trabalha com uma distribuição hipotética das reduções de gastos.
A análise destaca que as transferências de renda têm papel importante na economia brasileira, pois os recursos recebidos pelas famílias movimentam o comércio e os serviços, sustentam o consumo e contribuem para a manutenção de empregos.
Nesse contexto, a redução de despesas públicas pode provocar efeitos em cadeia: menos recursos circulando na economia, menor demanda por produtos e serviços, redução da atividade empresarial e dificuldades para a geração de novas vagas de trabalho.
O debate sobre o ajuste fiscal também envolve a preservação da renda, dos benefícios sociais e dos investimentos públicos. A dimensão dos cortes anunciados levanta questionamentos sobre quais despesas seriam reduzidas e quais setores poderiam ser afetados.
Para os trabalhadores, a discussão é especialmente relevante porque medidas de contenção de gastos podem repercutir no mercado de trabalho, no poder de compra das famílias e no financiamento de políticas públicas.
O estudo reforça a importância de avaliar não apenas a economia imediata obtida com a redução das despesas, mas também seus efeitos sobre o crescimento econômico, a arrecadação e as condições de vida da população.
O desafio, portanto, é discutir o equilíbrio das contas públicas sem desconsiderar os impactos econômicos e sociais das medidas adotadas.
Fonte: DIEESE — Síntese Especial nº 25, outubro de 2026. Informações sobre as estimativas também foram publicadas pelo UOL e pelo jornal A Tarde.