Representante dos servidores TAE lê carta no Consuni e denuncia desrespeito à categoria durante debate no Conselho Universitário da UFC

Publicado por Teia Digital
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Fonte: SINTUFCE

A representante dos servidores técnico-administrativos em educação (TAE) no Conselho Universitário (Consuni) da Universidade Federal do Ceará (UFC), Cristiane Xerez Barroso, realizou a leitura de uma carta durante a mais recente reunião do colegiado, na qual manifestou preocupação com o tratamento dispensado à representação da categoria durante a sessão realizada em 22 de maio de 2026.

No documento, encaminhado aos membros do Conselho, Cristiane relata que ela e os demais representantes dos servidores TAE foram alvo de falas condescendentes, piadas e deboches ao defenderem posição contrária à concessão de uma honraria ao ministro da Educação, Camilo Santana. Segundo a representante, embora as divergências de opinião façam parte do processo democrático, o debate precisa ocorrer com respeito entre todas as pessoas que compõem o órgão deliberativo.

“Espero que nas futuras discussões sobre as mudanças que são necessárias e urgentes, os argumentos sejam sólidos, baseados em fatos, e não guiados pelo deboche ou pela suposta superioridade de algumas pessoas sobre outras”, afirma um trecho da carta.

Cristiane destaca que a postura adotada durante aquela reunião não representou um episódio isolado, mas refletiu situações vivenciadas cotidianamente pelos servidores TAE dentro da universidade.

Na carta, ela afirma que a categoria ainda enfrenta processos de invisibilização, silenciamento e desvalorização institucional, apesar dos avanços conquistados nos últimos anos por meio da mobilização coletiva.

Debate sobre valorização dos servidores TAE

Ao explicar os motivos que a levaram a elaborar o documento, Cristiane ressaltou que a intenção foi registrar comportamentos que considera incompatíveis com o ambiente de um conselho superior, especialmente diante das importantes discussões institucionais que a universidade deverá enfrentar nos próximos meses.

Segundo ela, a leitura da carta também teve como objetivo reafirmar que os debates sobre o futuro da UFC precisam ocorrer em um ambiente de respeito, no qual posições divergentes sejam enfrentadas com argumentos e não com desqualificações à categoria.

A representante reconhece que a atual gestão da universidade abriu espaços de diálogo com os servidores TAE, mas ressalta que os avanços conquistados pela categoria não decorreram de concessões espontâneas da administração.

Na avaliação de Cristiane, medidas como a ampliação da participação dos servidores TAE em espaços de decisão e a implementação do Programa de Gestão e Desempenho (PGD) nas unidades acadêmicas foram resultado da organização e da luta permanente da categoria, intensificadas especialmente após a greve de 2024.

Ela também observa que a cultura institucional construída ao longo das sete décadas da UFC ainda carrega práticas que relegam os servidores TAE a um papel secundário, realidade que precisa ser superada por meio da atuação conjunta de servidores técnico-administrativos em educação, docentes e estudantes.

Defesa do diálogo e do respeito

Ao encerrar a carta, Cristiane reafirma sua disposição para o diálogo respeitoso entre todos os segmentos da universidade, mas ressalta que mudanças concretas dependem da transformação das práticas institucionais.

“Não esqueçamos que, sem a prática, o discurso torna-se vazio”, conclui a representante.

A manifestação foi apresentada aos demais membros do Conselho Universitário como um registro da necessidade de que as futuras discussões sobre os rumos da Universidade Federal do Ceará sejam conduzidas em um ambiente de respeito mútuo, valorizando igualmente todas as categorias que constroem a instituição.