Brasil vira jogo e reduz tarifas após decisão da Suprema Corte dos EUA

Publicado por Teia Digital
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Decisão da Suprema Corte derruba tarifas globais de Trump e reduz carga média sobre produtos brasileiros para 10%

Fonte: Jornal GGN

A decisão da Suprema Corte norte-americana em apontar a inconstitucionalidade das tarifas impostas pelo presidente Donald Trump configura o tabuleiro comercial – e coloca o Brasil em uma posição confortável, pelo menos no curto prazo.

Cálculos divulgados pela Bloomberg mostram que, depois de enfrentar tarifas médias em torno de 31%, a carga brasileira caiu para cerca de 10%, o maior alívio apurado entre os principais parceiros comerciais norte-americanos.

A redução de até 21 pontos percentuais criou uma vantagem competitiva para os itens brasileiros em setores estratégicos, como o aço, commodities agrícolas e produtos semi-industrializados.

Segundo a Bloomberg, a estratégia diplomática do governo Lula foi marcada por três pilares:

  1. Não retaliação imediata, evitando escalada;
  2. Aposta no sistema judicial americano, que acabou limitando o alcance das tarifas globais;
  3. Diversificação comercial, com intensificação de agendas junto à Índia e outros emergentes.

Contudo, o pano de fundo político também é relevante: as tarifas contra os produtos brasileiros foram anunciadas em meio ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe, o que o governo brasileiro classificou como interferência externa.

Ainda assim, Lula manteve o canal diplomático aberto — movimento que agora se mostra pragmaticamente eficaz.

Porém, o cenário permanece incerto. A investigação aberta com base na Seção 301 do USTR continua ativa, e o governo americano sinaliza que poderá usar diferentes bases legais para sustentar novas tarifas. Além disso, a intenção de elevar a tarifa global temporária para 15% pode reduzir parte do ganho competitivo brasileiro.

A visita prevista de Lula à Casa Branca, em março, tende a ser decisiva. O Brasil busca especialmente revisar as tarifas sobre o aço e discutir a volta do regime de cotas — mecanismo que no passado limitava volumes, mas evitava sobretaxas punitivas.