Bolsonaro quer rebaixar Covid de “pandemia” para “endemia”. Saiba quais seriam as consequências

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Ministério da Saúde estuda a possibilidade que contraria recomendações internacionais e que significaria abandonar várias restrições sanitárias

Através das redes sociais, o presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira (3/3) que o Ministério da Saúde estuda rebaixar o status da covid-19 no Brasil de “pandemia” para “endemia”.

Segundo o mandatário, essa possibilidade foi levantada “em virtude da melhora do cenário epidemiológico e de acordo com o § 2° do Art. 1° da Lei 13.979/20202”.

A possível mudança teria importantes consequências, já que uma endemia é um processo patológico que permanece estacionário em uma determinada população. Por exemplo, a gripe estacionária, ou a catapora e até mesmo a AIDS são consideradas doenças endêmicas. Em algumas localidades na Amazônia e no Pantanal, a dengue e a febre amarela também são consideradas endêmicas – por isso, os que viajam a essas regiões devem se vacinar obrigatoriamente contra a febre amarela.

A mudança de status poderia ter consequências, principalmente, no que diz respeito às medidas sanitárias para prevenção dos contágios. As campanhas de vacinação continuariam, de acordo com a determinação dos governadores, porém, outras medidas poderiam perder o caráter de obrigatórias, como o uso de máscaras, a limitação para realizar aglomeração e a realização compulsória de exames.

A alteração também significaria o fim da exigência de passaporte vacinal para o acesso a locais públicos.

Essas diferenças são a razão pela qual diferentes organismos internacionais questionam a ideia de transformar a covid em uma endemia. A OMS (Organização Mundial da Saúde), por exemplo, considera que a mudança de classificação é uma medida “inconsequente”.

Segundo Mike Ryan, diretor de Emergências em Saúde da OMS, “o problema do debate de pandemia versus endemia é que a AIDS é endêmica, assim como a malária em muitos países. E ambas as doenças matam centenas de milhares de pessoas atualmente”.

“Endemia não é uma coisa boa. Primeiro, temos que chegar a baixos níveis de incidência da doença, com um máximo de pessoas vacinadas para que ninguém tenha que morrer de covid-19”, afirmou Ryan, durante sua participação no Fórum Econômico de Davos, em janeiro passado, segundo reporte de Isabel Saco para Swiss Info.

No entanto, o Ministério da Saúde reforçou a hipótese da mudança de status da covid-19, através de nota na qual informa que já está adotando as medidas necessárias para a reclassificação. “O Ministério da Saúde avalia a medida, em conjunto com outros ministérios e órgãos competentes, levando em conta o cenário epidemiológico e o comportamento do vírus no país”, explicou a nota.

Fonte: Jornal GGN