Guedes defende offshore e nega conflito de interesses

Publicado por Teia Digital
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O ministro foi convocado após a série de reportagens Pandora Papers, do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos, que mostrou Guedes ser o fundador da Dreadnoughts International, nas Ilhas Virgens Britânicas.

O ministro da Economia Paulo Guedes foi prestar esclarecimentos em audiência na Câmara sobre sua offshore nas Ilhas Virgens Britânicas. O ministro defendeu a offshore como coisa ‘absolutamente legal’ e negou que haja conflitos de interesse entre seu cargo e sua empresa.

O ministro foi convocado após a série de reportagens Pandora Papers, do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos, que mostrou Guedes, como sócio da Bozano Investimentos, fundador da Dreadnoughts International, nas Ilhas Virgens Britânicas.

A reportagem mostrou que a empresa continua ativa e tinha um patrimônio de US$ 9,5 milhões em 2015.

Guedes foi convocado para falar sobre sua offshore nas Comissões de Trabalho, de Administração e Serviço Público (CTASP) e da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle (CFFC) da Câmara dos Deputados.

Ele confirmou que enviou dinheiro ao exterior em 2015, e uma única vez, e depois não mexeu mais no dinheiro. Afirmou que os valores são declarados à Receita Federal, ao Banco Central e que o Conselho de Ética da Presidência da República recebeu essas informações.

Negou que houvesse qualquer conflito de interesse. ‘A resposta é não, mil vezes não’, disse ele.

O ministro disse que seus parentes estão como acionistas e diretores da offshore por questões sucessórias. Assim evitaria que o fisco norte-americano, por exemplo, ficasse com grande parte do dinheiro em caso de morte, no imposto sobre herança. Sendo pessoa jurídica não há como recolher imposto sobre herança.

Segundo Guedes, os recursos e investimentos da offshore são geridos por um ‘blind trust’, sem interferência de sua família.

O patrimônio do ministro foi formado no mercado financeiro e na área da educação. Ele foi um dos fundadores do Banco Pactual e transacionou com escolas de ensino básico e superior. Segundo ele, já teria tido oportunidade de ir para o governo e não foi, por convite de Tancredo Neves, que morreu antes de governar. Disse ele que se quisesse ganhar com informação privilegiada teria ido antes para o governo.

Ao se desfazer de inúmeros investimentos no Brasil, abrindo mão do rendimento de capital, o ministro diz que perdeu dinheiro ao entrar no governo.

Ele afirma que há muita narrativa política, covardia e desrespeito aos fatos quando o assunto é a offshore. Diz que, mesmo com tudo declarado, o barulho não está parando.

Quanto à cotação do dólar, o ministro nega que tenha atuado para sua elevação e, com isso, lucrar com os recursos da sua offshore. Segundo ele, tensões políticas e pandemia fizeram o dólar disparar. Segundo ele, se quisesse ganhar com isso, teria deixado o Banco Central sob seu comando, e não independente.

Offshore é um instrumento legal quando declarada à Receita Federal.

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, também foi citado na reportagem como dono da Cor Assets S.A., no Panamá. Campos Neto havia declarado a empresa, além de outras, no exterior em audiência no Senado. Ele fechou a companhia no ano passado.

O artigo 5º do Código de Conduta da Alta Administração Federal, instituído em 2000, proíbe funcionários do alto escalão de manter aplicações financeiras, no Brasil ou no exterior, passíveis de ser afetadas por políticas governamentais.

O imposto sobre heranças, no Brasil, é estadual, e pode variar entre 2% e 8%. Resguardar o patrimônio da família para que não sofra baixas com má gestão e impostos sobre heranças pode ser feito com uma holding.

Fonte: Jornal GGN