Esperamos que o governo brasileiro seja firme na defesa do Pix, diz economista

Publicado por Teia Digital
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Paulo Kliass avalia que o Pix passou a ser incorporado no debate diante de ausência concreta de argumento para tarifaço

Fonte: Brasil de Fato

Em um artigo publicado nesta segunda-feira (20), o economista Paul Krugman, vencedor do Nobel de Economia de 2008, critica a investigação aberta pelos Estados Unidos que gerou o novo tarifaço de 25% imposto sobre produtos brasileiros e elogiou o sistema de pagamento Pix. “Trump tentará punir o Brasil por esse sucesso”, escreveu o economista.

Em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, o economista Paulo Kliass fez referência a esse tema e traçou um retrospecto das oscilações do governo de Donald Trump, que no ano passado tentou usar o tarifaço como estratagema para chantagear o Brasil e interferir na justiça no caso de Jair Bolsonaro, e agora volta a atacar outras frentes na tentativa de atingir o Brasil. Contudo, avalia Kliass, o governo Lula corretamente não tem mostrado que vai ceder à pressão estadunidense.

“A gente está no meio de mais uma série de episódios da temporada do segundo mandato do presidente Donald Trump que tem idas, vindas, recuos, avanços. A única característica permanente é a incerteza e a incoerência”, sentencia.

Para ele, mais uma vez, a taxação sobre produtos brasileiros tem caráter político e não encontra explicação econômica plausível para ser justificada. “O fato concreto é que o tarifaço, no caso brasileiro, não tem nenhum aspecto que o justifique do ponto de vista do que é o seu objeto, que é a questão da balança comercial, a relação entre exportações e importações entre dois países, em que eventualmente algum pode estar sendo prejudicado e, por isso, lança a mão de tarifas para reduzir as importações do outro país. No caso do Brasil e Estados Unidos não. Pelo contrário, os Estados Unidos são superavitários. Eles exportam muito mais do que importam do Brasil. Então não tem o que reclamar”, defende o economista.

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Paulo Kliass avalia que, diante dos poucos argumentos, Trump passou a procurar outros inimigos dentro do Brasil para continuar suas chantagens e encontrou o Pix, que caiu como uma luva para os ataques dele. “O Pix é brasileiro, ele é democrático, ele é universal e ele é gratuito. Com esse processo crescente da chamada bancarização, no Brasil, cada vez mais pessoas passaram a ter acesso a banco, cartões de crédito, débito, que seja, você tem a possibilidade de realizar transferências entre contas e compras, sem pagar as tarifas e os exageros cobrados pelos cartões de crédito tradicionais, cujas principais bandeiras são norte-americanas”, ressaltou.

Kliass destaca que o comportamento instável e autoritário de Trump tem feito com que uma “frente amplíssima” se volte contra ele, inclusive de pessoas de perfil mais coservador como o próprio Krugman, economista que o criticou. “Pelo menos o Krugman é sincero, ele é honesto. Quer dizer, ele reconhece que o Pix é um grande avanço do ponto de vista da tecnologia financeira, é um exemplo que o Brasil está dando para o mundo. Por isso pisa no calo dos grandes conglomerados norte-americanos que mexem com cartão de crédito. A gente espera é que o governo brasileiro seja firme na defesa do Pix”, analisa.