Por que a existência de bilionários é um risco para a democracia

Publicado por Teia Digital
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Em entrevista à Fórum, coordenador de Justiça Social e Econômica da Oxfam Brasil comenta relatório Desigualdade SA

No começo da semana a Oxfam Brasil publicou o relatório ‘Desigualdade SA – Como o poder corporativo divide o nosso mundo e a necessidade de uma nova era de ação pública’, em que mostra uma série de dados alarmantes sobre os rumos da humanidade sob o capitalismo. A principal revelação é de que, de 2020 para cá, os cinco principais bilionários do mundo dobraram suas riquezas enquanto 60% da população do planeta, ou 5 bilhões de pessoas, empobreceram no mesmo período.

Ao longo do relatório são detalhadas uma série de aspectos desse quadro de desigualdade global. Entre eles a hegemonia do capital financeiro no controle das corporações e o próprio poder dessas corporações que influenciam governos e manobram Estados em todo o mundo para que seus interesses sejam atendidos. Nesse sentido chegam as políticas de austeridade, privatizações, desregulamentação de leis trabalhistas e a forte queda do poder dos salários, enquanto, do outro lado da pirâmide, os principais acionistas das principais corporações dragam a riqueza gerada na produção e nos serviços.

Em dado momento, o relatório fala abertamente que “fica nítido que a propriedade de ações e participações, em termos econômicos, reflete uma plutocracia e não uma democracia”. A palavra em questão, “plutocracia”, significa justamente o ‘governo daqueles que têm grana’.

Nesse sentido, entrevistamos Jefferson Nascimento, coordenador de Justiça Social e Econômica da Oxfam Brasil, para comentar o relatório e nos responder em que medida, exatamente, a mera existência desses bilionários pode produzir uma desigualdade que coloque as democracias em xeque e abram o caminho para que a extrema direita se apresente como alternativa.

Fonte: Revista Fórum