Defensor das privatizações, governo Bolsonaro comemora lucro recorde das estatais

Publicado por Teia Digital
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Estatais devem render mais de R$ 100 bi em dividendos ao governo federal; Paulo Guedes, defensor ferrenho do “Estado mínimo” espera alcançar superávit primário com lucro das empresas públicas

Apesar do discurso favorável às privatizações, inclusive da Petrobras, uma das estatais que mais gera lucros ao país, o governo Bolsonaro, nos bastidores, comemora a possibilidade de passar da marca de R$ 100 bilhões em dividendos a serem recebidos neste ano de estatais após o pagamento recorde da Petrobras pelo lucro referente ao segundo trimestre. 

O ministro Paulo Guedes que, na frente das câmeras e em diálogo com investidores defende a venda de todas as empresas públicas, comemora o dividendo recorde, pois, acredita que, com o lucro recorde da Petrobras, o governo pode registrar superávit primário na gestão central (que soma Tesouro, Banco Central e Previdência).

No primeiro semestre deste ano, o Tesouro Nacional Registrou o recebimento de R$ 44,9 bilhões em dividendos de todas as estatais. Com o pagamento de cerca de R$ 25 bilhões da Petrobras, o número vai subir para ao redor de R$ 70 bilhões. 

O governo ainda conta com a entrada de receita de outros dividendos da Petrobras no terceiro trimestre e também os ganhos a serem repassados ao Tesouro por outras empresas, que deve ser turbinado pelo pedido de ampliação de recursos feito pelo governo às maiores estatais, principalmente a Caixa e o BNDES. 

A gestão de Jair Bolsonaro já tinha pedido ao BNDES um repasse turbinado de recursos neste ano, que já foram pagos, a saber o valor de R$ 18,9 bilhões relativos aos lucros de 2020 e 2021 que entraram em 2022.

Petrobrás pagará dividendos recordes a acionistas; R$87,8 bilhões

A Petrobrás aprovou, nesta quinta-feira (28), a distribuição de R$87,8 bilhões de reais em dividendos aos seus acionistas. O valor é referente ao segundo trimestre de 2022 e é um recorde para semelhante período, superando o trimestre anterior em 81%; na ocasião foram distribuídos R$48,5 bilhões.

Será pago o valor de R$ 6,73 para cada ação da empresa em circulação. O montante será pago em duas vezes, a primeira em 31 de agosto e a segunda em 20 de setembro.

Acionista majoritário da estatal, o governo federal irá receber cerca de R$32 bilhões da empresa – incluídos nos pagamentos o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e o BNDESPar, braço do banco público no mercado financeiro.

Em nota a estatal afirma que o dividendo recorde está de acordo com a Política de Remuneração aos Acionistas e é compatível com a sustentabilidade financeira da companhia. 

Mas a aprovação dos dividendos vem em um contexto em que na última segunda (25), Esteves Conalgo, secretário do Tesouro e Orçamento do Ministério da Economia, solicitou que as estatais federais pagassem mais dividendos ao governo federal a fim de repor gastos previstos pela polêmica PEC dos Auxílios.

Lula diz que, caso eleito, vai mudar política de preço da Petrobras 

O ex-presidente Lula, que é pré-candidato do PT à presidência da República, declarou na manhã desta quarta-feira (27), em entrevista ao UOL que, caso seja eleito, vai alterar a atual política de preço. 

“Pretendo mudar a política de preço da Petrobrás. Ela tem que ser em função dos custos e gastos reais do povo brasileiro. Essa história de internacionalizar [o preço] é para agradar acionistas em detrimento de milhões de brasileiros”, disse Lula. 

Em seguida, o ex-presidente criticou a privatização da BR Distribuidora e afirmou que a Petrobrás não pode ser tratada apenas como uma empresa de petróleo, mas sim com uma empresa de energia e afirmou que a estatal tem potencial para estar entre as três maiores empresas energéticas do mundo.

Fonte: Revista Fórum