Durante passeio pelo Oriente Médio, Bolsonaro sinalizou interferência no Enem. Termo revolução é usado por militares para definir o golpe que deu início à Ditadura em 1964.
Após atacar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que classificou como “ativismo político“, Jair Bolsonaro (Sem partido) tenta impor sua visão revisionista da história sobre o golpe de 64, que instalou no Brasil a Ditadura Militar.
Reportagem de Paulo Saldaña na edição desta sexta-feira (19) da Folha de S. Paulo revela que o presidente mandou o ministro da Educação, o pastor Milton Ribeiro, trocar “golpe” por “revolução”, termo defendido na caserna para o fato histórico, nas provas.
Segundo integrantes do governo, a determinação de Bolsonaro aconteceu ainda no primeiro semestre. Ribeiro teria repassado o pedido a equipes do Ministério e do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), responsável pelas provas.
“Cara do governo”
Durante passeio pelo Oriente Médio, Bolsonaro sinalizou interferência no Enem, que agora começa “a ter a cara do governo”.
“O que eu considero muito também: começam agora a ter a cara do governo as questões da prova do Enem”, disse. “Ninguém precisa ficar preocupado. Aquelas questões absurdas do passado, que caíam tema de redação que não tinha nada a ver com nada. Realmente, algo voltado para o aprendizado”, afirmou em Dubai.
Após as denúncias de que o governo Bolsonaro está interferindo no conteúdo do Enem 2021, a bancada do Partido dos Trabalhadores entrou com uma ação no Ministério Público Federal (MPF) onde pede o afastamento do presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), Danilo Dupas Ribeiro. O Inep é o responsável pela elaboração do exame nacional.
Além disso, os parlamentares também entraram com um pedido de convocação do ministro da Educação, Milton Ribeiro, para que preste explicações sobre a interferência externa no Enem.
As ações protocoladas pela bancada do PT são uma resposta às denúncias feitas pelos 37 servidores do Inep que pediram exoneração e afirmaram que o governo Bolsonaro recebeu uma versão prévia da prova para decidir quais questões devem ou não permanecer. Isso nunca aconteceu na história do exame.
De acordo com informações do jornal O Estado de S. Paulo, 24 questões foram retiradas da prova por serem consideradas “sensíveis”.
Ainda que não se saiba o que são essas “questões sensíveis”, é fato que devam estar relacionadas à sexualidade. Dois momentos recentes geraram discussões e críticas por parte da extrema direita: em 2016, quando uma questão trazia a filósofa Simone de Beauvoir, uma das maiores teóricas do feminismo, e, em 2018, quando havia uma pergunta sobre o “pajubá”, o dialeto LGBT.
Fonte: Revista Fórum