Ataques ao funcionalismo e ao serviço público se intensificaram após o golpe de 2016 e a resistência contra a PEC 32 vai exigir mobilização e articulação de entidades e movimentos populares
Desde o golpe jurídico-parlamentar de 2016, os ataques ao funcionalismo e aos trabalhadores não param. Destaca-se a EC 95 (teto dos gastos) em dezembro de 2016, que tem reflexos até hoje com menos recursos para a saúde, educação, sistema de justiça, segurança pública e sucateamento do serviço público com cada vez menos concursos, ou seja, menos atendimento à população.
Após a “reforma” trabalhista, que retirou direitos dos trabalhadores e esvaziou parcialmente o papel histórico do Sistema de Justiça Trabalhista. Na sequência, o ataque à previdência, que aumentou o valor de contribuição, o tempo necessário para se aposentar e diminuiu o valor das aposentadorias, além de outros ataques.
Por último, o congelamento salarial (mesmo com a inflação galopante) e restrições na forma de se conseguir reajustes no funcionalismo com a PEC “Emergencial”. No atual momento, tentam aprovar a Reforma Administrativa (PEC 32).
Esses retrocessos foram implementados com forte avanço ideológico do neoliberalismo, colocando as forças progressistas numa defensiva. Uma parte considerável dos trabalhadores perdeu essa condição para ser microempreendedores, ou “empregados de si próprio”; os servidores públicos foram declarados inimigos da eficiência e do avanço da sociedade; as empresas estatais foram sucateadas em pouco tempo, algumas privatizadas, sendo muitas vendidas ou em processo de venda.
Em 2021 não foi diferente. Além de lutar pela vida contra um governo negacionista, o Governo Bolsonaro e sua tropa no Congresso Nacional quiseram aprovar a reforma administrativa, que na verdade trata-se de uma reforma de Estado.
Houve resistência e muita luta, não tendo sido aprovada na Câmara até o momento.
Três pontos principais merecem ser destacados deste projeto de desmonte do Estado:
Não podemos nos esquecer do forte ataque que empresas públicas estão sofrendo. O caso dos Correios, empresa com 100 mil trabalhadores, é emblemático. Primeiro sucateia; para depois vende a preço de banana e demite milhares de empregados públicos.
Assim, no dia do servidor público em 28 de outubro, temos pouco a comemorar. Porém, é preciso valorizar a ampla unidade entre as entidades do funcionalismo público, as Centrais Sindicais e os movimentos populares, deixando nossas diferenças de lado, para atuar nas ruas, nas redes sociais e na pressão parlamentar contra a Reforma Administrativa (PEC 32).
Essa unidade precisa continuar para que lutemos por um Serviço Público de Qualidade, pela valorização dos servidores, pela volta dos concursos públicos, revogação da EC 95, além de outras pautas históricas de nós trabalhadores do setor público.
Sempre aliando mobilização, pressão, com articulação e disputa de hegemonia nas redes sociais. Esta é a condição para reconstruir o Brasil e fazer um bom combate ao projeto neoliberal que tem o serviço público (e seus servidores) como inimigos.
*Thiago Duarte Gonçalves, Diretor da Fenajufe (Federação dos Trabalhadores do Judiciário Federal e do MPU), Servidor do TRT da 2ª Região e membro da ABJD (Associação Brasileira de Juristas pela Democracia)
Fonte: Rede Brasil Atual