Oposição tenta esvaziar debate sobre fim da 6×1, mas discussão segue no Senado; Lula cobra posição de Flávio

Publicado por Teia Digital
  • Compartilhe

Flávio Bolsonaro defende negociação direta com patrão e seus aliados buscam atrasar calendário articulado por Alcolumbre

Fonte: Brasil de Fato

Em meio à campanha para o segundo turno das eleições, os debates do fim da escala 6 por 1 continuaram pelo segundo dia consecutivo, nesta quarta-feira (7), no Senado Federal, enquanto o tema torna-se mais presente na campanha com o presidente Lula cobrando posição de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que foge do tema, enquanto articula a oposição tenta esvaziar a votação.

Os debates acontecem após o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), definir um calendário pelo rito processual, que prevê cinco dias de debate para iniciar a votação em primeiro turno, o que pode acontecer na próxima semana.

As sessões são semipresenciais e contaram na terça (6) com 69 participantes e 60 na quarta. A grande maioria são apoiadores do fim da escala, que foi aprovada em votação recorde (472 votos a favor e 22 contra) na Câmara dos Deputados antes das eleições. Na última sessão, apenas o senador Oriovisto Guimarães (Podemos-PR) manifestou-se contra a condução do rito no Senado, mas disse ser favorável ao mérito da PEC.

O vice-presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Ubiraci Dantas de Oliveira, o Bira, que está acompanhando os debates, afirma que Flávio Bolsonaro tenta esvaziar as sessões, mas sem sucesso. “Estou achando que a coisa está andando muito bem. Ontem [terça], apesar da tentativa de Flávio Bolsonaro de tentar esvaziar a sessão, ele não foi feliz”, avalia Bira.

O coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República, senador Rogério Marinho (PL-RN), que evita apresentar seu voto, vem tentando adiar a previsão de votação, junto a Alcolumbre, dizendo que “neste momento, não é o ideal”.

“Não faz bem ao país votar um assunto dessa gravidade, dessa importância e com essa repercussão da maneira que está sendo votado”, disse Rogério Marinho. Do outro lado, a líder do Governo no Senado, Teresa Leitão, tenta colher assinaturas para apresentar o requerimento de calendário especial para acelerar a votação.

Na terça-feira (6), Flávio foi questionado novamente sobre a PEC do governo e, mais uma vez, defendeu uma escala 7×7. “Nossa proposta é dar liberdade para que o trabalhador monte a sua jornada de trabalho conforme a sua possibilidade e necessidade. Quem quer trabalhar mais vai trabalhar mais, quem quer trabalhar menos vai ter o direito de priorizar outras coisas na sua vida”, disse o primogênito do ex-presidente Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe de Estado.

Já o candidato à reeleição, presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cobrou, durante plenária do PT nesta quarta, uma posição clara de Flávio pelo fim da escala. “Eu quero ver como é que o Flávio Bolsonaro vai votar. Eu o desafio a votar favoravelmente. E desafio ele a pedir para o PL votar favoravelmente”, disse Lula, que aproveitou também para criticar as propostas do bolsonarista.

“Eles estão inventando uma história, como se, em um acordo leonino, o trabalhador tivesse alguma vantagem. Então, nada de aceitar barganha. É reduzir a jornada de trabalho para cinco dias de trabalho e dois de descanso”, afirmou o candidato do PT.