SINTUFCE debate pautas da categoria com a Administração Superior da UFC e avança em encaminhamentos sobre jornada, carreira e condições de trabalho

Publicado por Teia Digital
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Fonte: SINTUFCE

O Sindicato dos Trabalhadores das Universidades Federais no Estado do Ceará (SINTUFCE) participou, nesta semana (05/05), de reunião com o reitor da Universidade Federal do Ceará (UFC), professor Custódio Almeida, para tratar de uma série de demandas da categoria dos servidores técnico-administrativos em educação (TAE), com destaque para questões relacionadas aos Hospitais Universitários (HUs), à carreira e à organização institucional.

O encontro contou com a presença da gestão superior da universidade, representantes da HU Brasil, direções dos hospitais universitários, assessoria jurídica do sindicato e representação da Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-Administrativos em Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil (FASUBRA).

Jornada de trabalho e organização nos Hospitais Universitários

Um dos principais pontos debatidos foi a jornada de trabalho dos servidores que atuam nos HUs. A coordenação do SINTUFCE apresentou a reivindicação de reorganização da escala, com base na jornada de 30 horas semanais, e denunciou os impactos negativos de mudanças recentes que desconsideravam a realidade de setores assistenciais não essenciais.

A coordenadora geral do SINTUFCE, Ana Maria Dias, destacou que houve distorções na aplicação de normativas internas, prejudicando trabalhadores que historicamente seguem a escala administrativa:

“Esses servidores sempre atuaram em escala administrativa, sem prejuízo ao atendimento. A mudança recente gerou conflitos desnecessários, inclusive exigindo presença em feriados sem demanda de serviço.”

Como encaminhamento, a reitoria se comprometeu a revisar a portaria vigente, restabelecendo a escala de 12 horas e garantindo o retorno ao acompanhamento do calendário administrativo da universidade para os setores não essenciais.

Também foi discutida a situação dos plantões no complexo hospitalar, impactada por interpretação jurídica recente. Segundo o coordenador geral Carlos Florêncio, a universidade irá acionar a Procuradoria para reavaliar o entendimento à luz da nova legislação federal:

“A partir da lei sancionada em março de 2026, abre-se uma nova possibilidade de regulamentação dos plantões. A expectativa é que a Procuradoria revise o entendimento e permita o retorno ao modelo anterior já na escala de junho.”

Outro avanço foi o reconhecimento de que os recessos administrativos definidos pela reitoria deverão incluir também os servidores da área assistencial não essencial, garantindo isonomia nas condições de trabalho.

Carreira, CIS e direitos dos servidores

No campo da carreira, foram debatidos temas como o Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC) e a estruturação da Comissão Interna de Supervisão (CIS) do Plano de Carreira dos Cargos Técnico-Administrativos em Educação (PCCTAE).

O coordenador de Administração e Finanças, Hemison Magalhães, ressaltou a importância da institucionalização da CIS:

“Mesmo sendo prevista em lei desde 2005, a CIS ainda não foi formalmente estruturada na UFC. Isso compromete a participação dos servidores nos processos de governança da carreira.”

Como encaminhamento, o reitor se comprometeu a incluir a criação e regulamentação da CIS na pauta do Conselho Universitário (CONSUNI), o que representa um passo importante para garantir segurança jurídica e participação efetiva dos servidores TAE nas decisões institucionais.

Também foram discutidas inconsistências no reconhecimento de certificações e na aplicação da aceleração por capacitação — conquista da greve de 2024. O sindicato questiona a interpretação adotada pela Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas (PROGEP) e pela Procuradoria, considerada divergente do entendimento nacional consolidado por entidades como a FASUBRA, a Comissão Nacional de Supervisão da Carreira e o Fórum de Pró-Reitores de Gestão de Pessoas (FORGEP).

Nesse sentido, foi encaminhada a realização de uma reunião entre a Procuradoria, a assessoria jurídica do SINTUFCE, a PROGEP e a FASUBRA para debater o tema.

Outras pautas e encaminhamentos

A reunião também tratou da transmissão das sessões do CONSUNI, especialmente aquelas relacionadas a processos estatuintes, com sinalização positiva da reitoria.

Avaliação do sindicato

A avaliação do SINTUFCE é de que a reunião foi produtiva e resultou em avanços concretos para a categoria, ainda que muitos pontos dependam de formalização por meio de portarias, pareceres jurídicos e decisões colegiadas.

Ana Maria Dias destacou o caráter político das conquistas recentes:

“Muitas dessas pautas são fruto da nossa greve de 2024. O que estamos fazendo agora é garantir que esses direitos saiam do papel e se concretizem na vida dos servidores.”

O sindicato reafirma que seguirá mobilizado, acompanhando os encaminhamentos e pressionando a gestão para assegurar o cumprimento dos direitos da categoria dos servidores TAE, com foco na valorização profissional, condições dignas de trabalho e fortalecimento do serviço público.