Mulheres aposentadas recebem menos e vivem mais: a desigualdade de gênero na Previdência

Publicado por Teia Digital
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Diante desse cenário, diretora lembra que o Sindnapi tem atuado na defesa de mudanças no sistema previdenciário

Fonte: Revista Fórum

No Brasil, as mulheres aposentadas enfrentam uma contradição evidente: vivem mais do que os homens, mas recebem benefícios menores. Essa desigualdade reflete um problema estrutural de gênero no sistema trabalhista e previdenciário, amplamente apontado por dados do IBGE e do Ipea – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada.

De acordo com Andrea Gato, secretária geral do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos – Sindnapi, as mulheres têm trajetórias profissionais mais instáveis, marcadas por salários mais baixos, maior presença no trabalho informal e longos períodos fora do mercado formal para cuidar dos filhos e da família. “Um dos principais fatores é o trabalho de cuidado não remunerado — como cuidar de filhos, idosos e familiares, pessoas doentes — que ainda recai majoritariamente sobre elas. Esse tipo de trabalho é essencial para a sociedade, mas não conta para a Previdência, reduzindo tempo de contribuição e valor da aposentadoria.”

Além disso, destaca Andrea, mesmo quando estão no mercado formal, as mulheres ganham menos que os homens, o que impacta diretamente o cálculo dos benefícios previdenciários. “O resultado é uma aposentadoria mais baixa, justamente em um período da vida em que elas tendem a viver mais anos e, muitas vezes, com maiores demandas de saúde.”

Diante desse cenário, a diretora lembra que o Sindnapi tem atuado na defesa de mudanças no sistema previdenciário, buscando o reconhecimento das desigualdades de gênero e a valorização do trabalho de cuidado. A luta é por um modelo mais justo, que considere a realidade das mulheres e garanta proteção social digna na velhice. “Já tivemos uma vitória com a aprovação da lei que estabelece salários iguais para homens e mulheres que desempenham a mesma função. Mas isso é apenas o início de uma luta, pois ainda são poucas as empresas que atendem à essa lei. Reduzir essa desigualdade não é apenas uma questão previdenciária, mas também um passo fundamental rumo à justiça social e à igualdade de gênero.”