Fonte: SINTUFCE
A Plenária Nacional da Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-Administrativos em Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil (FASUBRA Sindical), realizada nos dias 24 e 25 de janeiro de 2026, em Brasília, deliberou pelo indicativo de greve nacional dos servidores técnico-administrativos em educação a partir do dia 23 de fevereiro de 2026. A decisão está registrada nas Resoluções da Plenária Nacional – ID 02/2026, aprovadas em 26 de janeiro, que definem como eixo único da mobilização o cumprimento integral do Termo de Acordo nº 11/2024, firmado após a greve de 2024.
O encontro reuniu 161 delegadas e delegados, representando 37 entidades sindicais de todo o país. O Sindicato dos Trabalhadores das Universidades Federais no Estado do Ceará (SINTUFCE) participou com uma delegação de sete representantes tanto das bases quanto da diretoria do sindicato, com delegados da Universidade Federal do Ceará (UFC), da Universidade Federal do Cariri (UFCA) e da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB).
A definição do indicativo de greve ocorre em meio ao impasse nas negociações com o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), especialmente em relação ao Projeto de Lei nº 6170/2025, que trata do Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC) e de pontos centrais da reestruturação da carreira. A categoria denuncia que o texto do projeto apresenta alterações que desfiguram cláusulas do acordo firmado ao final da greve de 2024, obrigando os servidores a renegociar direitos já pactuados.
A coordenadora geral do SINTUFCE, Ana Maria Dias, avaliou que a situação impõe um novo momento de enfrentamento político.
“Depois de uma greve longa e extremamente cansativa, com mais de 120 dias, ninguém esperava ter que renegociar aquilo que já foi acordado e assinado. Minimamente, esperávamos que o governo cumprisse o acordo”, afirmou.
Segundo a dirigente, estudos de viabilidade realizados pelo Ministério da Educação (MEC) indicavam a possibilidade de implementação da jornada de 30 horas semanais, sem redução salarial, mas o deslocamento da discussão para o MGI resultou em retrocessos.
“Quando essa pauta saiu do MEC e foi para o MGI, ela sofreu uma mudança radical, inviabilizando pontos centrais como as 30 horas e deixando outras pautas fundamentais de fora”, criticou.
As Resoluções da Plenária Nacional da FASUBRA (ID 02/2026) reafirmam que a greve, caso seja deflagrada, terá como eixo específico o cumprimento integral do acordo de greve de 2024. Entre os pontos centrais estão a ampliação do RSC para servidores ativos, aposentados, pensionistas e doutores, a redução da jornada para 30 horas, o plantão 12 por 60, o reposicionamento dos aposentados no Plano de Carreira dos Cargos Técnico-Administrativos em Educação (PCCTAE) e a retirada de dispositivos que induzem à terceirização no serviço público.
Para Francisco Freitas, da base da UFC, a decisão da plenária expressa a unidade da categoria em defesa dos direitos já conquistados.
“A plenária da FASUBRA deixou muito claro que o foco central da nossa luta é garantir o cumprimento total do acordo de greve. O indicativo de greve para o dia 23 de fevereiro foi uma decisão coletiva, construída a partir da avaliação de que o governo ainda não respondeu de forma satisfatória às demandas da categoria, especialmente em relação ao Reconhecimento de Saberes e Competências e à situação dos aposentados”, afirmou.
Heveline Ribeiro, também da base da UFC, destacou o peso político do encontro nacional.
“A plenária foi um momento decisivo para os servidores técnico-administrativos em educação. Após debates intensos sobre a conjuntura política e as condições de trabalho, a categoria definiu o dia 23 de fevereiro como data do indicativo de greve, demonstrando insatisfação com o ritmo das negociações e com o descumprimento de pontos dos acordos firmados anteriormente”, avaliou.
A Coordenadora dos TAE das Universidades Federais com Base Territorial ou Campus no Interior, Nádia Freires, também delegada pela UFC, destacou a importância da organização da categoria diante do cenário de possível deflagração da greve.
“Diante da possibilidade de uma nova greve, temos a tarefa de nos organizar enquanto categoria e nos mobilizar em defesa do cumprimento do acordo de 2024. Só com unidade e participação da base será possível construir um movimento forte”, afirmou.
O primeiro dia da plenária foi marcado por um momento de homenagem às aposentadas e aposentados, em referência ao Dia Nacional da Pessoa Aposentada, celebrado em 24 de janeiro. As pautas específicas desse segmento, como reposicionamento na carreira, inclusão no RSC e acesso ao auxílio-alimentação, foram amplamente debatidas, reforçando o caráter intergeracional da luta sindical.
O coordenador de Educação, Esporte, Lazer e Cultura do SINTUFCE, Marco Fukuda, ressaltou a importância política da plenária.
“Essa foi a primeira grande atividade nacional da FASUBRA em 2026. Ela serviu para troca de experiências, análise da conjuntura internacional e nacional e organização da categoria em um cenário de correlação de forças desfavorável à classe trabalhadora”, afirmou.
A presença das bases do interior e da UNILAB reforçou o caráter nacional e plural da plenária. Para Rafael Ponciano, da UNILAB, que participou pela primeira vez de uma Plenária Nacional da FASUBRA, o encontro teve papel formativo e político.
“Foi minha primeira participação em uma plenária nacional e foi um momento de muito aprendizado. Entender como as diferentes visões constroem coletivamente uma federação forte como a FASUBRA mostra que o diálogo e a organização são fundamentais para a nossa luta”, destacou.
Rafael também ressaltou o caráter estratégico da data escolhida para o indicativo de greve.
“O dia 23 de fevereiro foi a melhor opção, porque garante tempo para organizar e mobilizar a base. Uma data mais próxima não daria condições reais de mobilização, além de não considerar o que o governo ainda pode apresentar”, completou.
Já Breno Alves, da UFCA, destacou que o debate central foi a disposição da categoria para resistir e lutar.
“O indicativo aprovado expressa a disposição da categoria em lutar pelo cumprimento integral do acordo, avaliando com firmeza a devolutiva que será apresentada pelo governo”, afirmou.
Conforme deliberado pela Plenária Nacional, haverá continuidade da plenária no dia 31 de janeiro, em formato virtual, para avaliação dos resultados da reunião com o MGI, marcada para o dia 27 (hoje). Também foram orientadas rodadas de assembleias nas bases nos dias 29 e 30 de janeiro, com o objetivo de debater os encaminhamentos e preparar a categoria para o indicativo de greve.
No Ceará, o SINTUFCE iniciará imediatamente o processo de mobilização nas bases da UFC, UFCA e UNILAB. A decisão final sobre a deflagração da greve será tomada de forma soberana pelas assembleias da categoria.
Como destacou a coordenadora geral Ana Maria Dias, a greve não é um fim em si mesma, mas um instrumento legítimo de luta.
“Greve não é boa, é cansativa. Mas, se for necessário, a nossa categoria vai encarar mais uma vez essa luta, em defesa da carreira, dos aposentados e do serviço público”, concluiu.