Fonte: Revista Fórum
O modelo atual de correção dos benefícios previdenciários continua a prejudicar aposentados e pensionistas que recebem valores superiores ao salário mínimo. Enquanto o piso nacional tem reajuste que supera a inflação, os demais benefícios são ajustados apenas pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), gerando perdas reais acumuladas ao longo dos anos.
Em 2026, os benefícios acima do mínimo foram reajustados em 3,9%. Já o salário mínimo recebeu aumento de 6,79%. Essa diferença anual provoca o chamado achatamento das aposentadorias, fazendo com que os valores intermediários se aproximem progressivamente do piso previdenciário.
O processo já é perceptível há anos. Somente em 2024, mais de 300 mil aposentados que recebiam acima do salário mínimo passaram a receber exatamente o piso. A tendência se repete anualmente e compromete diretamente a qualidade de vida dessa parcela da população idosa.
O INSS paga atualmente mais de 40 milhões de benefícios. Desse total, 21,9 milhões correspondem a um salário mínimo, enquanto 14,1 milhões superam esse valor. Sem alteração nas regras, a distorção deve continuar crescendo, com cada vez mais benefícios convergindo para o piso mínimo.
O Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi) defende que a solução depende de mudanças legislativas, já que as normas de reajuste são definidas pelo Congresso Nacional. Para o sindicato, é essencial eleger parlamentares comprometidos com a defesa dos aposentados e trabalhadores.
“O achatamento das aposentadorias é resultado de decisões políticas. Sem mudanças na lei, quem contribuiu a vida inteira continuará perdendo poder de compra”, afirma o presidente do Sindnapi, Milton Cavalo.
A entidade acompanha de perto a tramitação do PL 1468/23, que propõe um reajuste adicional de 5% a cada cinco anos de aposentadoria, e continua pressionando por medidas que garantam valorização real dos benefícios previdenciários.