Haddad: Taxação de bancos e bets servirá de receita para educação básica e professores

Publicado por Teia Digital
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“O que estou fazendo como ministro da Fazenda é justamente buscar a fonte de financiamento para custear o Fundeb”, diz Haddad

Fonte: Jornal GGN

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou durante entrevista ao podcast Três Irmãos que a ideia de aumentar a alíquota de taxação sobre os bancos digitais (fintechs) e sobre as empresas de apostas online (bets) tem como pano de fundo a busca pela receita para custear o Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação).

Criado durante o governo Lula, quando Haddad era o ministro da Educação, o Fundeb é a principal fonte de financiamento da educação básica no Brasil. Ele funciona como um fundo no qual estados e municípios destinam parte de suas receitas, e este montante é complementado com recursos da União. Boa parte do salário dos educadores é paga por meio desses recursos, pois muitas redes de ensino dependem dele para pagar esses aumentos.

No podcast, Haddad foi enquadrado sobre uma declaração que teria dado em evento do BTG Pactual, que foi interpretada incorretamente como uma crítica à ampliação das fontes de receita do Fundeb. “O que eu critiquei, porque eu não fiz isso, foi criar o Fundeb sem fonte de financiamento”, explicou Haddad. “Você não pode criar uma despesa de 40 bilhões de reais sem fonte de financiamento. E agora o que estou fazendo como ministro da Fazenda é justamente buscar a fonte de financiamento para custear o Fundeb”, disse.

Haddad reafirmou ser a favor do Fundeb e disse que está “bastante confortável em fazer mais esse trabalho pela educação brasileira”. “Quando pessoas me criticam por taxar bet e taxar banco, eu estou taxando para pagar o Fundeb”, justificou. O ministro ainda afirmou que “herdou” do governo de Jair Bolsonaro uma conta de 80 bilhões de reais para pagar, sendo 40 bilhões do Fundeb e outros 40 bilhões, “em números arredondados”, do BPC (Benefício de Prestação Continuada).

Na entrevista, Haddad também falou sobre sua carreira política e os desafios enfrentados em seus diferentes cargos públicos, como Ministro da Educação e Prefeito de São Paulo. Ele detalhou sua trajetória de formação interdisciplinar em direito, economia e filosofia, e explicou como foi convidado pelo presidente Lula para assumir a Fazenda a partir de 2023.

Grande parte da conversa se concentrou nas políticas econômicas e sociais do governo, incluindo a reforma tributária, a tributação de compras internacionais, a necessidade de justiça social e o papel do Banco Central, além de abordar a polarização política com o bolsonarismo e a importância de uma classe dirigente com visão de longo prazo para o país.