Mercado espera por manutenção da taxa Selic em 15%

Publicado por Teia Digital
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Copom interrompeu sequência de alta; economistas reforçam incertezas com cenário e comportamento da inflação

Fonte: Jornal GGN

O Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) manteve a taxa básica de juros estável em 15% após sete elevações consecutivas, e a expectativa dos economistas é que os juros sigam nesse patamar por algumas reuniões.

Embora os juros afetem a intenção de compra dos consumidores e o comportamento da inflação, o que se vê é um colegiado calibrando seus prognósticos em um cenário marcado por incertezas, em especial sobre o impacto da taxação de 50% imposta pelo governo de Donald Trump às exportações brasileiras.

Confira abaixo a análise dos economistas sobre a decisão do Copom:

Tânia Cristina Teixeira, presidente do Cofecon (Conselho Federal de Economia)

O principal fator que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central leva em conta para mexer na taxa de juros é a inflação – e, embora a taxa Selic de 15% já afeta para baixo os prognósticos traçados no boletim Focus, é preciso ter em vista os efeitos causados em outras categorias, como o encarecimento do crédito para famílias e empresas e a desaceleração econômica.

Flávio Serrano, economista-chefe do Banco BMG

“Um patamar de 15% está fora de qualquer padrão civilizado de taxa de juros. Levando em conta a expectativa de inflação dos próximos 12 meses, são quase 10% de juros reais! Por isso, temos defendido que a sociedade brasileira não pode ser refém do rentismo com vistas a combater a inflação”.

Segundo o economista, a reunião era um “não evento”, pois a manutenção era altamente provável e não se antecipava nenhuma alteração significativa na comunicação.

“De fato, essas expectativas foram confirmadas e o documento divulgado hoje não trouxe grandes novidades. O comunicado mencionou a desaceleração da atividade econômica, mas a manutenção da resiliência do mercado de trabalho. Além disso, outro destaque foram as incertezas em relação aos efeitos das políticas comerciais impostas pelos EUA”, explica Serrano. “No geral, o comunicado reforça nossa percepção de manutenção da taxa Selic no atual patamar por um período bastante prolongado”.

Felipe Rodrigo Oliveira, economista-chefe da MAG Investimentos

O economista explica que a manutenção ficou dentro do esperado, e que o Banco Central “reconheceu que o recente anúncio de imposição de tarifas ao Brasil demanda cautela num cenário de maior incerteza”.

“Também vale mencionar que o Copom reforçou a visão de que é necessário manter os juros por período bastante prolongado para assegurar a convergência da inflação à meta”, explica Oliveira, que projeta a manutenção da taxa Selic em 15% até o fim do primeiro trimestre de 2026, quando deveremos observar o início de ciclo de cortes – embora novos ajustes não estejam descartados.

Bruna Centeno, economista na Blue3 Investimentos

A manutenção da Selic em 15% ficou dentro do esperado e, segundo a economista, o comunicado divulgado foi “extremamente importante”, pois o mercado “poderia entender que a prévia que vem mostrando um processo mais gradual de uma inflação podendo convergir pelo menos abaixo de 5%, poderia antecipar um tom mais calmo”.

“E somado também ao ambiente ainda bastante incerto, o mercado poderia calibrar isso como um cenário de afrouxamento. Mas a da perspectiva, e conforme eles anunciaram na ata, inclusive ela foi bem parecida ao comunicado anterior, então eles decidiram, depois de vários ajustes, seguir com mais uma manutenção ainda acompanhando os efeitos adversos”, ressalta a economista.

Na visão da economista, tal posicionamento é importante em meio à posição adotada pelos Estados Unidos em taxar as exportações brasileiras em 50% – mas, em linhas gerais, a economista explica que o mercado pode ver como “muito positiva” a posição do colegiado em manter os juros uma vez que os dados inflacionários não estão em patamares considerados saudáveis, apesar da economia resiliente.

Paulo Gala – economista-chefe do Banco Master

O Copom não apresentou grandes novidades no comunicado, que tem como principal tom a interrupção da alta dos juros. “A sinalização é de que os juros vão continuar elevados por um período prolongado, enquanto o Comitê avalia melhor o cenário. Ou seja, não há qualquer menção a corte de juros”.

Embora exista uma leve melhora nas expectativas de inflação — tanto para este ano quanto para o próximo — e alguns sinais de desaceleração da atividade, o Copom está muito longe de indicar uma redução da taxa. “O recado é claro: por enquanto, pararam de subir, mas não está definido se esse será o fim do ciclo. A leitura é de uma pausa para avaliação, e essa é, na minha visão, a principal mensagem do comunicado”, diz o economista.

Marcelo Bolzan, planejador financeiro e sócio da The Hill Capital

O economista diz que a decisão foi “amplamente aguardada e esperada”, e o comunicado veio muito em linha com o que foi divulgado em reuniões anteriores.

“O grande destaque certamente é que o comitê traz ali uma preocupação com o ambiente externo, dizendo que ele está mais adverso. Afirmam que o comitê tem acompanhado com grande atenção os anúncios referentes à imposição de tarifas comerciais para o Brasil, feito pelos Estados Unidos, e que nesse cenário ele reforça uma postura de cautela em função desse cenário de maior incerteza”, explica o economista.

Bolzan projeta manutenção da taxa Selic para as próximas reuniões, já que o comitê “comenta que o cenário é de maior incerteza, que precisa de uma cautela na condição de política monetária (…) mas ele deixa claro que não hesitará caso seja necessário retomar o ciclo de ajuste de juros”.