Diálogos DIAP: centrais destacam união e urgência da trabalhista

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O primeiro dia do evento Diálogos DIAP, realizado nesta terça-feira (25), reuniu representantes das centrais sindicais para debater os desafios dos trabalhadores e a construção da agenda legislativa no Congresso — a chamada pauta trabalhista.

Com mediação da presidenta do DIAP, Graça Costa, os participantes foram unânimes em destacar a necessidade de união e pressão para avançar em relação às pautas sindicais no Congresso Nacional.O encontro, organizado pelo DIAP, em parceria com as entidades filiadas, ocorreu no Teatro dos Bancários, em Brasília, com transmissão ao vivo pela TV DIAP no YouTube. A mesa de abertura contou com a participação de lideranças das centrais sindicais, que apontaram os obstáculos enfrentados pelos trabalhadores e a importância de a mobilização ainda em 2025, ano considerado decisivo para avançar nas pautas sindicais no Legislativo.

Graça Costa abriu o evento e agradeceu a participação presencial e virtual e reforçou a importância do debate contínuo. “É com espírito de luta que iniciamos os Diálogos DIAP. Queremos que este evento se torne frequente, fortalecendo a conexão com as entidades e a classe trabalhadora”, afirmou.

Ela também lançou desafio às entidades filiadas ao DIAP para ampliar o diálogo com as bases, a sociedade e a pressão política para fazer avançar a agenda sindical.

Congresso hostil
Valeir Ertle, secretário de Assuntos Jurídicos da CUT (Central Única dos Trabalhadores), destacou a urgência de ações ainda neste ano, já que 2026 será marcado pelo processo eleitoral. “Precisamos pressionar agora. O Congresso atual é hostil, mas não podemos esperar”, disse, em defesa das pautas como redução da jornada de trabalho e taxação de grandes fortunas.

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On-line: Alexandre Caso, secretário de Relações Institucionais da Intersindical

Fortalecer a pauta trabalhista
O presidente da CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil), Flauzino Antunes, enfatizou a necessidade de união sindical para reverter a atual correlação de forças no Legislativo. “Nós da CTB temos como princípio a unidade dos trabalhadores, a unidade sindical, para que a gente avance para um País melhor. Precisamos resgatar a credibilidade dos sindicatos e fortalecer a pauta trabalhista”, afirmou, citando a revisão da Reforma Trabalhista, retomada do crescimento, trabalho digno e a correção da tabela do IRPF como prioridades.

Combater ascensão da extrema-direita
Ernesto Luiz, dirigente da CSB (Central dos Sindicatos Brasileiros), alertou para a crise do capitalismo e a ascensão da extrema-direita. “Esse seminário vem num momento muito importante, fundamental da nossa conjuntura, visto que a crise no planeta é uma crise do sistema capitalista e essa se reflete dentro do Brasil na ascensão da extrema-direita, com a implantação no sistema neoliberal. Sem derrotar o neoliberalismo, a democracia continuará ameaçada”, disse, ao defender ofensiva ideológica e maior pressão nos estados, onde os parlamentares são eleitos.

Desmonte do serviço público
Wanderci Polaquini, vice-presidente da PCS (Pública Central do Servidor), destacou que os servidores públicos também são afetados pelos ataques aos direitos. “Financiamos, via impostos, os setores que nos combatem. Precisamos cortar esse ciclo e fortalecer o movimento. A pública é uma central específica de servidor público, mas nós estamos ombreados a todos os trabalhadores do Brasil”, afirmou, ao criticar o desmonte do serviço público.

Profundo debate com a base
O coordenador do FTS (Fórum Sindical dos Trabalhadores), Luiz Arraes, alertou para os riscos de enviar projetos ao Congresso Nacional sem ampla discussão com os sindicatos e com as bases nos estados. “O movimento sindical sofreu um grande golpe com as reformas que foram empurradas sem nenhum tipo de debate. A correlação de forças lá [no Congresso Nacional] não mudou nada de lá para cá. Eu acho muito temeroso fazer qualquer tipo de projeto agora e encaminhar para o Congresso Nacional sem ter um profundo debate com a base”, defendeu, e ressaltou a importância da unicidade sindical.

Representação no Congresso
Moacyr Auersvald, presidente da NCST (Nova Central Sindical de Trabalhadores), aproveitou a ocasião para lembrar a trajetória do DIAP, especialmente durante a Constituinte, e elogiou a atuação da entidade. “Temos que honrar essa história e fortalecer nossa representação no Congresso”, disse, ao citar o legado do fundador do Departamento, o advogado trabalhista Ulisses Riedel.

Avanços do governo Lula
O vice-presidente da Força Sindical, Sérgio Luiz Leite, destacou os avanços do governo Lula (PT), em pautas econômicas, mas alertou para a dificuldade na área trabalhista. “Sabemos da dificuldade que temos com a nossa pauta trabalhista dentro desse Congresso. Eu costumo dizer que nada que está ruim, que não possa piorar. Então, além da agenda legislativa e das nossas prioridades, que é a revisão da Reforma Trabalhista, o projeto de lei da negociação coletiva e o custeio sindical, temos a redução da jornada de trabalho, o imposto de renda, mas não só a isenção até R$ 5 mil, também, a correção da tabela do IR”, pontuou.

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Diálogo necessário e permanente
Ainda no evento, Alexandre Caso, secretário de Relações Institucionais da Intersindical, reforçou a importância da articulação nos estados. “O Congresso é o palco central, mas a pressão local é decisiva. Estamos construindo grupos estaduais para fortalecer a agenda”, explicou. Sobre o evento, destacou que “esse é um diálogo necessário e tem de ser permanente. Vamos ter figuras muito importantes aqui para a gente poder sair mais fortalecidos e na unidade”.

Diálogos DIAP seguiu na quarta-feira (26), com o 4º painel, que debateu a “Construção da Agenda Legislativa 2025: novos presidentes no Congresso e perspectivas da agenda da classe trabalhadora”. Assista à transmissão completa na TV DIAP, no YouTube.

FONTE: DIAP