Representantes da Educação pedem que Lula mostre espaço que setor tem no governo

Publicado por Teia Digital
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Servidores pedem reestruturação de carreiras, que foge do Orçamento. Em evento, Lula mostra investimentos em obras.

O presidente Lula se reuniu com reitores de universidades e institutos federais, nesta segunda-feira (10). O objetivo era apresentar os investimentos milionários do governo federal à Educação, frente às cobranças dos servidores em meio à greve no setor.

Trata-se de um gesto do governo, que não consegue chegar a uma negociação com os funcionários públicos que estão mobilizados há mais de 2 meses.

Os professores e técnicos-administrativos demandam a reestruturação de carreiras e a recomposição salarial atingindo os mesmos pisos oferecidos aos políticos do Executivo e Congresso e dos servidores do Judiciário. Os servidores alegam que esperam que o presidente mostre o espaço que a Educação tem em seu governo, atendendo aos pedidos da categoria.

O governo, contudo, enfrenta restrições orçamentárias para equiparar as remunerações dos milhões de professores e técnicos da Educação aos servidores do Executivo, por exemplo. No setor de obras, por outro lado, há espaços para investimentos e o encontro desta segunda buscou demonstrar isso.

Assim, os anúncios de hoje saíram das mãos do Ministério da Gestão e Inovação, a pasta que cuida dos servidores públicos, para os investimentos direto do Ministério da Educação. Foram anunciadas medidas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), com investimentos na ordem de R$ 5,5 bilhões contemplando universidades e hospitais universitários.

Durante o encontro, a reitora da Universidade de Brasília, Márcia Abrahão, presidente da Andifes (Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior), entidade que representa os servidores nos diálogos com o governo, deu o tom da cobrança:

“Os servidores da Educação são trabalhoras e trabalhadores essenciais para darmos conta de todos os desafios do país e que possuem remunerações muito defasadas, como o senhor bem sabe e tem tratado dessa recomposição, ainda mais quando comparadas a algumas carreiras recentemente. Há técnicos, presidente, que chegam a ganhar menos de um salário mínimo”, alertou.

“Esperamos que essa semana, o governo e os sindicatos cheguem a uma solução negociada, pacificando a situação”, completou a reitora, aplaudida.

Após as manifestações dos representantes dos servidores, o ministro da Educação, Camilo Santana, afirmou que o governo federal apresentará uma proposta amanhã (11) para encerrar a paralisação. E explicou a dimensão dos recursos negociados:

“Esse governo, depois de 6 anos sem reajuste salarial, deu um reajuste de 9% no seu primeiro ano de governo. Para vocês terem uma ideia, 9% de aumento salarial só para os servidores da educação tem um impacto de mais de R$ 8 bilhões no Orçamento do MEC”, introduziu.

“Para vocês terem uma ideia, porque são mudanças no reajuste geral, mas também mudanças na carreira, a última proposta que foi negociada com os docentes, que inclusive um dos sindicatos assinou a negociação, com os 9% que foi dado ano passado, a variação até 2026 de reajuste dos professores vai variar de 23% a 43%”, enfatizou o ministro.

Por fim, Santana disse que é impossível “recompor a defasagem salarial” de “todo um processo histórico de anos” em um “curto espaço de tempo”, e frisou que o governo federal está fazendo “um esforço enorme”.

Ao final, a resposta do presidente Lula não foi a esperada pelo setor. Ele discursou cobrando das lideranças sindicais a tomar decisões frente às propostas do governo: “Dirigente sindical tem que ter coragem de propor, e tem que ter coragem de negociar. Ele tem que ter coragem de tomar decisões que muitas vezes não é o tudo ou nada que ele apregoa. Não é 2%, 3% e 4% que a gente fica a vida inteira de greve”, criticou.

Segundo o presidente, com as propostas do governo, “não há muita razão para essa greve continuar durando” e que, com as mobilizações, “quem está perdendo não é o Lula, não é o reitor, quem está perdendo é o Brasil e os estudantes brasileiros”.

Acompanhe como foi o encontro do governo Lula e ministros com os reitores:

FONTE: JORNAL GGN