Movimento estudantil aponta risco iminente de desmonte da educação pública e convoca a sociedade para barrar o avanço da extrema direita no segundo turno
Fonte: ANDES
A juventude brasileira iniciou uma ampla mobilização de rua e de base em defesa da democracia, da educação pública e pela reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva. A reação estudantil ganhou força imediatamente após o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais, motivada pela compreensão de que a candidatura da extrema direita representa ameaça direta de retorno aos cortes orçamentários, ao sufocamento e descrédito da pesquisa científica e ao desmonte das universidades públicas e das políticas sociais no país.
A primeira reação ocorreu já na segunda-feira (5), na Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói (RJ), onde estudantes organizados pelo Centro Acadêmico Evaristo da Veiga (CAEV), da Faculdade de Direito, e por outras entidades acadêmicas realizaram passeatas consecutivas pelas ruas da cidade. Sob a palavra de ordem de que “o abalo e o espanto com o resultado de domingo precisam se transformar em movimento”, manifestantes estenderam a faixa “UFF Antifascista” e marcharam em defesa da universidade e contra qualquer proposta de anistia a golpistas.
A mobilização surtiu efeito e, em poucos dias, a agenda de lutas estudantis já somava mais de 40 assembleias, plenárias e protestos de rua em diversos estados e no Distrito Federal, abrangendo instituições como Universidade de São Paulo (USP), Federais do Rio de Janeiro (UFRJ), de Minas Gerais (UFMG), do Rio Grande do Sul (UFRGS), da Bahia (UFBA), de Pernambuco (UFPE), do Pará (UFPA), do Amazonas (UFAM) e Brasília (UnB). No Rio de Janeiro, milhares de estudantes de diversas universidades, institutos federais e do Colégio Pedro II ocuparam o trajeto entre a Candelária e a Cinelândia, afirmando que a ocupação das ruas continuará antes e depois do pleito para barrar o fascismo.

Em outras regiões, o movimento estudantil articula ações diretas de convencimento e apoio logístico. Na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), a plenária “Vira Voto” tomou o campus de Goiabeiras com trabalho de base de sala em sala. Em Minas Gerais, estudantes da UFMG organizam tendas permanentes e comitês de mobilização. No Paraná, estudantes da UFPR e UTFPR convocaram o ato “Nem o pai, nem o filho: em defesa do Brasil e contra o avanço da extrema direita”, enfrentando inclusive a suspensão arbitrária de suas contas institucionais em redes sociais em meio à convocação das assembleias. Em Pernambuco, assembleias gerais na UFPE contaram com o engajamento unificado das entidades estudantis e de apoio docente.
As lideranças estudantis enfatizam que derrotar a eleição do candidato bolsonarista no segundo turno é condição indispensável para garantir a permanência estudantil, a autonomia universitária, a ciência nacional e os direitos da classe trabalhadora. Diversos atos estão previstos para os próximos dias. Confira algumas das mobilizações, já divulgadas, no final da matéria.

ANDES-SN conclama docentes
Em consonância com a mobilização que toma o país, a diretoria do ANDES-SN divulgou a Circular nº 407/2026, conclamando a categoria docente de todas as universidades públicas, institutos federais e cefets a se engajar ativamente na campanha para reeleger Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno.
A orientação cumpre a deliberação do 69º Conad, que definiu como tarefa central da categoria a derrota eleitoral da direita e da extrema direita. O documento do Sindicato Nacional alerta que o projeto político representado pela candidatura bolsonarista significa uma ameaça real à soberania nacional, aos serviços públicos, ao meio ambiente, à ciência e aos direitos sociais.
“Não há escolha possível a não ser rechaçar o projeto político de barbárie social representado pela extrema direita e pelo candidato bolsonarista”, destaca trecho da Circular emitida pela entidade. O ANDES-SN reafirma o seu compromisso histórico com a defesa da universidade pública, gratuita, laica e de qualidade, a valorização da carreira docente e a preservação das conquistas democráticas da classe trabalhadora. Leia mais aqui.

Agenda de atos confirmados (Fonte: Estudantes Ninja)
AMAZONAS
BAHIA
CEARÁ
ESPÍRITO SANTO
GOIÁS
MARANHÃO
MINAS GERAIS
PARÁ
PARAIBA
PARANÁ
PIAUÍ
RIO DE JANEIRO
RIO GRANDE DO NORTE
RIO GRANDE DO SUL
SERGIPE
SÃO PAULO
Com informações de Mídia Ninja, Estudantes Ninja e Brasil de Fato.