Penduricalhos: veja como salários de juízes podem chegar a R$ 78 mil após decisão do STF

Publicado por Teia Digital
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Decisão do STF permite que penduricalhos e adicional por tempo de serviço elevem salários no Judiciário e no MP dentro de novos limites definidos pela Corte

Fonte: Revista Fórum

Adecisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que limitou os chamados penduricalhos também definiu como esses adicionais podem elevar os salários de juízes e membros do Ministério Público. Com as novas regras, os rendimentos podem chegar a cerca de R$ 78 mil mensais em alguns casos.

O valor resulta da combinação entre o teto constitucional e os adicionais autorizados dentro do regime de transição fixado pela Corte.

Como funciona o cálculo dos salários

O teto constitucional permanece em R$ 46.366,19, equivalente ao salário dos ministros do STF. A partir desse valor, a Corte estabeleceu dois blocos de adicionais que podem ser pagos acima do subsídio.

O primeiro é o adicional por tempo de serviço, também chamado de valorização por antiguidade. Ele prevê acréscimo de 5% a cada cinco anos de carreira, com limite máximo de 35%.

O segundo bloco corresponde às verbas indenizatórias, que também podem chegar a até 35% do teto. Nessa categoria entram pagamentos como diárias, ajuda de custo, indenização por férias não gozadas e acúmulo de jurisdição.

Somando os dois limites, os adicionais podem atingir cerca de R$ 32 mil. Na prática, isso permite que o rendimento total chegue a aproximadamente R$ 78 mil mensais.

Quem pode receber os maiores valores

Os maiores salários devem ocorrer para magistrados e membros do Ministério Público em fase final da carreira, que conseguem atingir o limite máximo do adicional por antiguidade.

Além disso, o recebimento integral das verbas indenizatórias previstas nas novas regras também influencia diretamente no valor final.

STF diz que não houve flexibilização do teto

Apesar da possibilidade de remunerações acima do teto, o STF afirma que não houve flexibilização das regras constitucionais.

O presidente da Corte, ministro Edson Fachin, destacou que a decisão reforça os mecanismos de controle. “Não há flexibilização do teto remuneratório nem mudança da jurisprudência”, disse.

Ele também ressaltou que o modelo adotado é uma solução provisória:

“Creio que o que fixamos, longe de ser ideal, mas se apresentando como factível nesse momento de transição, são parâmetros de controles.”

Impacto fiscal

Mesmo com a possibilidade de salários mais altos em alguns casos, o STF estima impacto positivo nas contas públicas.

Segundo o ministro Alexandre de Moraes, a medida pode gerar economia de cerca de R$ 560 milhões por mês, chegando a até R$ 7 bilhões por ano.

O ministro Flávio Dino afirmou que o custo dos penduricalhos vinha sendo elevado e que as novas regras devem trazer um resultado fiscal relevante.

Parte de uma mudança mais ampla

A autorização para ganhos acima do teto faz parte de um pacote mais amplo aprovado pelo STF.

A decisão também determinou o fim de diversos auxílios considerados irregulares, padronizou os pagamentos e ampliou as exigências de transparência.

O novo modelo funciona como um regime de transição até que o Congresso Nacional aprove uma lei definitiva sobre o tema.