Nota da Asfoc-SN em defesa das conquistas salariais, da transparência e do futuro da Fiocruz

Publicado por Teia Digital
  • Compartilhe

Fonte: ASFOC-SN

Consonante com o objetivo de informar e orientar os trabalhadores e trabalhadoras, a Diretoria da ASFOC, Sindicato dos Trabalhadores da Fiocruz, torna público seu posicionamento inicial frente às mais recentes discussões estratégicas, ora em curso, que impactam diretamente a categoria.

É com grande satisfação que a Diretoria da ASFOC celebra a garantia do reajuste salarial para abril. Esta conquista é um testemunho inequívoco do poder da negociação coletiva e da força da nossa mobilização conjunta.

Exatamente por isso, repudiamos veementemente qualquer tentativa de rotular as negociações salariais como “fracassadas”, parta ela da presidência da Fiocruz ou de qualquer outro ator. Jamais compactuaremos com tamanha insensibilidade para o que este reajuste significará no dia a dia das famílias da Fiocruz, depois de tantos anos enfrentando governos que em nada cederam.

Embora reconheçamos que a reposição ainda não cubra integralmente as perdas salariais – acumuladas ao longo de décadas de enfrentamento a governos que em nada cederam – fazemos questão de destacar que este acordo garantiu ganhos reais no período de 2023 a 2026 para trabalhadoras e trabalhadores Fiocruz.

Importante frisar que foi o primeiro acordo salarial, após mais de uma década, sem mesa específica de negociação. E já estamos mobilizados para conseguir novos reajustes, porque temos coerência com nosso papel e nossa história: Atuante, sempre. Já as tais declarações surgem no apagar das luzes da plenária do X Congresso Interno da Fiocruz, como se estivessem seus defensores divorciados de suas responsabilidades no processo – histórico, conjuntura e contexto – em que as discussões ocorreram.

Tanto ou mais preocupante é que essa afirmação venha embalada por uma igualmente deslocada e nada amadurecida discussão sobre Subsidiárias para a Fundação. A proposta, especialmente quando apresentada como condicionante de melhorias salariais, levanta sérias preocupações sob a ótica sindical e exige atenção redobrada. Afinal, a quem interessa essa confusão?

Na ocasião, enquanto eram publicamente desdenhados os ganhos reais e presentes, brotaram promessas de ganhos financeiros e melhoria de carreiras totalmente descolados de luta como de diálogo – mas surpreendentemente atreladas à maior mudança estrutural já proposta na centenária trajetória de uma Fiocruz. O sucesso salarial e a carreira estão em uma Fiocruz-ainda-a-ser? No futuro? O sucesso estará no que ainda não é?

Decerto que não. Enquanto hoje e sempre a ASFOC permanece atenta para garantir que alterações estruturais não prejudiquem os direitos e as condições de trabalho da categoria as extemporâneas análises sobre as conquistas salariais abrigam (in)conveniente artifício que, deliberadamente ou não, tenta – aí sem nenhum sucesso – eximir os responsáveis de suas obrigações e responsabilidades perante a categoria.

Nenhum diversionismo nos impedirá de questionar: onde estão o RRA e APH conquistados pela luta da Asfoc? Onde está a discussão presente, real, transparentemente construída que interessa à nossa comunidade trabalhadora, por direito, mas, também, por necessidade?

Respondemos: a tramitação encontra-se em fase final no Poder Executivo. Então, da companheira histórica da Asfoc nesse processo – a presidência da Fiocruz – se espera apenas que faça sua parte institucional e intransferível. E tome sua responsabilidade para que essa negociação siga sendo um sucesso completo, ainda maior. Este é um dos motivos de ter sido eleita. Que essa mesma força seja empregada para analisar criticamente e defender nossos direitos diante dos desafios que se apresentam.

Outros motivos incluem transparência total sobre as reais motivações e as implicações concretas da proposta de mudança do modelo jurídico, incluindo a criação de subsidiárias. A análise deve transcender promessas salariais extemporâneas e abranger todos os aspectos legais, administrativos, estratégicos e, sobretudo, de impacto na vida e nos direitos dos trabalhadores.

É fundamental que a comunidade de trabalhadores da Fiocruz esteja plenamente informada e mobilizada, ouvida e respeitada em seus direitos e em suas necessidades. Minorar a luta é desconhecer o quanto as vitórias salariais demonstram nossa força quando unidos.

Pelo respeito às conquistas dos trabalhadores e das trabalhadoras.

Diretoria da ASFOC – Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras da Fiocruz