PRECARIZAÇÃO —  Trabalhadores terceirizados da UFC paralisam atividades após novo atraso de salários e benefícios

Publicado por Teia Digital
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Fonte: ADUFC

O ano de 2026 teve início com um problema antigo na Universidade Federal do Ceará (UFC): o atraso do salário dos trabalhadores e trabalhadoras que prestam serviços nos campi da Universidade UFC, tanto na capital quanto nos municípios de Quixadá, Sobral, Crateús e Russas.

Os trabalhadores e trabalhadoras enfrentam o atraso no pagamento de salários e benefícios referentes ao mês de dezembro de 2025. Segundo nota do Sindicato dos Trabalhadores Prestadores de Serviços Terceirizados em Asseio e Conservação do Estado do Ceará – SEEACONCE, as empresas terceirizadas Florart Paisagismo Ltda. e Solução Serviços e Comércio e Construção, contratadas para prestar serviços à UFC, seguem descumprindo a Convenção Coletiva de Trabalho, instrumento legal que garante direitos básicos à categoria. Além do atraso salarial, não há o pagamento de benefícios, sem qualquer previsão concreta para a regularização, agravando ainda mais a situação da categoria que engloba trabalhadores/as de serviços gerais e também das portarias.

“Não temos nem o dinheiro da passagem para vir trabalhar. Tem gente que precisou pedir dinheiro emprestado. Mas e quem não tem nem a quem pedir emprestado? A gente vem trabalhar sem nenhuma condição. E no fim é a gente que fica sempre no prejuízo”, relataram trabalhadores e trabalhadoras que preferiram não se identificar.

Os atrasos de salário e do pagamento de benefícios, assim como a ameaça de demissão em massa, vem acontecendo de forma recorrente na UFC desde 2024.

O SEEACONCE relatou que tentou, por diversas vezes, agendar reunião com a Reitoria da UFC para tratar especificamente das irregularidades cometidas pelas empresas Florart e Solução, porém, até o dia 8/1, sem êxito. Diante da ausência de diálogo institucional, o jurídico do sindicato solicitou mediação junto ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), buscando uma solução urgente para os problemas enfrentados pela categoria.

Em nota, a UFC informou que tem ciência das dificuldades enfrentadas por empresas terceirizadas para cumprir obrigações trabalhistas, em razão de limitações orçamentárias e financeiras típicas do início do ano. A instituição afirma que a situação é transitória, está sendo acompanhada de perto e depende da normalização do repasse de recursos do MEC, com expectativa de regularização dos empenhos e pagamentos nos próximos dias, reiterando seu compromisso com a responsabilidade administrativa, a transparência e o diálogo com empresas e trabalhadores terceirizados.

Na última segunda-feira (12), a diretoria do SEEACONCE esteve reunida com a direção da universidade, na Reitoria da UFC, no entanto, não houve avanço na resolução da questão.

A presidenta do SEEACONCE, Penha Mesquita, ressalta que, infelizmente, o problema com os contratos de terceirização não é uma exclusividade da UFC, tendo sido uma questão recorrente em muitas instituições públicas. “Os contratos de terceirização têm sido um grande problema para o sindicato. Quando dá um problema, sempre quebra do lado mais fraco, que é o lado do trabalhador. Nós sempre tivemos problemas com os contratos de empresas terceirizadas na Universidade. Quando as empresas são locais e têm escritórios aqui, fica mais possível acompanhar. Mas quando são empresas de fora, as coisas ficam mais difíceis. As empresas têm se preocupado apenas com o lucro, são meras corretoras de serviços”, pontuou.