O Novo Ensino Médio carece de legitimidade democrática, por Luis Felipe Miguel

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O Novo Ensino Médio foi gestado não no MEC, mas em entidades como a Fundação Lemann, sem participação da sociedade.

por Luis Felipe Miguel

Em relação ao Novo Ensino Médio, o governo falha no compromisso com a igualdade.

O Novo Ensino Médio amplia a desigualdades entre estudantes ricos e pobres – uma escola para quem está destinado a mandar, outra para quem está condenado a obedecer. Para quase todas as escolas públicas, é impossível implantar os “itinerários” anunciados.

O governo falha no compromisso com o progresso social.

O Novo Ensino Médio retira da educação o seu caráter de promoção do pensamento crítico e autônomo, transformando-a em mero – e insuficiente – preparadora de mão de obra para o mercado.

O governo falha no compromisso com a república.

O Novo Ensino Médio foi gestado não no MEC, mas em entidades como a Fundação Lemann, sem participação da sociedade. É representativo da captura do Estado por uma lógica empresarial, que serve apenas aos interesses de uma minoria.

O governo falha no compromisso com a democracia.

Imposto por Temer, por meio de Medida Provisória, o Novo Ensino Médio carece de legitimidade democrática. Ao recusar o diálogo com os educadores e estudantes que pedem a revogação, o ministro Camilo Santana reforça seu caráter autoritário.

O governo falha no compromisso com sua base social.

Quem deseja revogar o Novo Ensino Médio, isto é, aqueles com quem o MEC se recusa a conversar, são estudantes e educadores, democratas que estiveram na resistência ao golpe de 2016 e ao bolsonarismo, defensores de primeira hora da candidatura de Lula.

Luis Felipe Miguel é professor do Instituto de Ciência Política da UnB. Autor, entre outros livros, de O colapso da democracia no Brasil (Expressão Popular).

Fonte: Jornal GGN